- A Stilingue utilizou inteligência artificial de aprendizado profundo para analisar obras psicografadas por Chico Xavier, com três autores: Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos, cada um retratado por três livros.
- A pesquisa exigia grandes volumes de texto; para Humberto de Campos houve dificuldade por falta de material suficiente.
- Após o treinamento, a máquina apresentou taxas de erro de 22% para André Luiz, 5% para Emmanuel e 32% para Humberto de Campos, sugerindo estilos relativamente distintos entre eles.
- Ao misturar textos de diferentes autores, a taxa de erro aumentou, indicando que a máquina não reconhecia padrões entre autores diferentes; em teste com Paulo Coelho, o erro ficou em 10%.
- Conclusão parcial: os autores aparecem como marcadamente diferentes entre si; a psicografia continua sendo uma questão de fé, mas o estudo ressalta a impressionante capacidade de produção do médium e aponta caminhos para novas pesquisas.
Inteligência artificial testou a psicografia de Chico Xavier, médium brasileiro falecido há 20 anos, para avaliar se as obras teriam estilos distintos conforme autores psicografados. A investigação foi realizada pela empresa Stilingue, que analisa textos com técnicas de aprendizado de máquina, usando dados de Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos.
A equipe trainou redes neurais com três livros de cada autor, buscando padrões de estilo. A ideia era verificar se cada autor possuía traços próprios e se os estilos seriam distinguíveis entre si. O estudo exigiu grandes volumes de caracteres, estimados em pelo menos um milhão por autor.
Segundo Milton Stiilpen Jr., fundador da Stilingue, Humberto de Campos apresentou maior variação de forma textual entre os textos analisados, o que dificultou a modelagem. Já Emmanuel e Humberto mostraram padrões com diferenças mais marcadas entre si.
No experimento, a rede neural reproduziu trechos de textos de André Luiz com falas separadas de blocos narrativos, enquanto Emmanuel apresentava traços mais consistentes. O resultado evidenciou que os estilos entre os autores são, de fato, distinguíveis pela máquina.
Para testar a possibilidade de o médium ter criado personas distintas, foram misturados textos entre autores. O erro da classificação aumentou quando as amostras foram cruzadas, sugerindo que cada autor possui um conjunto de traços relativamente estável, mesmo quando atribuído a Chico Xavier.
A equipe também realizou comparações com outros autores, como Paulo Coelho, para ver se o fenômeno se repetiria. O índice de erro ficou mais baixo para Coelho, indicando que o problema de identificação varia conforme o corpus utilizado. Fernando Pessoa foi avaliado, mas não houve dados suficientes.
Os pesquisadores ressaltam a necessidade de ampliar a análise com outras técnicas para autores com produção literária muito diversa, como Pessoa e Nelson Rodrigues. O estudo sobre Chico Xavier não pretende afirmar autoria ou sobrenaturalidade, mas aponta a alta capacidade de expressão do médium dentro de padrões reconhecíveis pela IA.
Em síntese, a psicografia permanece como tema de fé para seguidores. Do ponto de vista técnico, o teste evidencia a consistência dos estilos atribuídos aos autores psicografados, sugerindo que as obras contêm traços identificáveis pela abordagem de deep learning.
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