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Estudo quantifica impacto da caça nas aves costeiras migratórias

Novo estudo associa caça à queda de populações de aves costeiras migratórias no corredor EAAF, abrangendo 22 países e várias espécies ameaçadas

Banner image of a critically endangered Spoon-billed sandpiper (Calidris pygmaea), a small wader that has an estimated less than 500 breeding population in the wild. Image by Yann Muzika
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  • Um estudo publicado em 2020 sugere que a caça pode ter impacto relevante na degradação das aves costeiras migratórias na East Asian-Australasian Flyway (EAAF), além do que se registra em mudanças de habitat e clima.
  • A EAAF é usada por mais de cinquenta milhões de aves de mais de 250 populações que atravessam 22 países em cerca de 25 mil quilômetros.
  • A pesquisa analisou 107 documentos de 165 locais em 14 países, cobrindo registros desde 1970 até dezembro de 2017, com dados de pelo menos 46 espécies.
  • Registros de caça foram encontrados em várias regiões, com dados mais robustos no Delta do Yangtzé (China), Baía de Pattani (Tailândia) e Java Ocidental (Indonésia); cinco espécies costeiras ameaçadas aparecem nesses registros.
  • Os pesquisadores defendem monitoramento coordenado em escala de flyway e políticas locais adaptadas, destacando que campanhas de conservação em Bangladesh reduziram a caça de Spoon-billed Sandpiper.

O estudo publicado em Biological Conservation (junho de 2020) quantifica o papel da caça na queda de aves limícolas migratórias ao longo do East Asian-Australasian Flyway (EAAF). A pesquisa analisa práticas de caça via tiros, armadilão e venenos desde 1970, em 22 países da região.

Conduzido por Eduardo Gallo-Cajao e uma equipe de 15 pesquisadores, o trabalho reuniu 107 documentos de 165 locais. O objetivo é entender a extensão da caça ao longo da rota migratória e seu impacto potencial nas populações de aves ao longo do ano.

Os autores afirmam que a caça é disseminada desde o século XIX, com dados mais robustos a partir de 1970. O estudo utiliza metodologia mista para dados históricos e contemporâneos, e aponta que o problema exige monitoramento coordenado entre governos, ONGs e pesquisadores.

Panorama da caça na rota migratória

Entre os locais com registros, destacam-se o Delta do Yangtzé, na China; a Baía de Pattani, na Tailândia; e a Java Ocidental, na Indonésia, onde há dados mais consistentes. A maioria dos registros não permite concluir sobre a sustentabilidade da caça.

O levantamento também associa a caça a espécies específicas, incluindo cinco limícolas ameaçadas. Entre elas estão o snipe-dente (Calidris pygmaea), o curlew do Leste Asiático e o knot grande (Calidris tenuirostris).

A equipe identifica 214 espécies de limícolas no mundo, com 61 utilizadas na rota asiático-pacífica. O estudo destaca que mudanças legais e econômicas dificultam soluções únicas para todas as situações nacionais.

Caminhos para a conservação

Os autores defendem monitoramento de longo prazo em escala de flyway, com participação de governos, ONGs e comunidades locais. Em Bangladesh, campanhas de conservação reduziram significativamente a captura de limícolas.

O estudo ressalta que estratégias precisam considerar variáveis locais, como subsistência e comércio, além de ameaças com fronteiras abertas. A cooperação regional é apontada como essencial.

Contexto e desdobramentos

A pesquisa reforça que a proteção de aves migratórias está alinhada a marcos internacionais, como a Convenção sobre Espécies Migratórias. A parceria EAAF criou grupo específico para caça em 2017.

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