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Limite de água doce da Terra é transgredido consideravelmente, dizem pesquisas

Avaliação atualizada amplia o conceito de água doce, incluindo água verde; fronteira planetária de água foi transgredida, exigindo ações urgentes

The nine planetary boundaries, counterclockwise from top: climate change, biosphere integrity (functional and genetic), land-system change, freshwater change, biogeochemical flows (nitrogen and phosphorus), ocean acidification, atmospheric aerosol pollution, stratospheric ozone depletion, and release of novel chemicals. In 2022, scientists announced the transgression of both the freshwater and novel entities boundaries. Image courtesy of J. Lokrantz/Azote based on Steffen et al. 2015 (via Stockholm Resilience Centre).
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  • Novo estudo amplia o conceito de água do planeta para incluir água verde (precipitação, umidade do solo e evaporação) e conclui que esse limite foi “consideravelmente transgredido”.
  • A avaliação, realizada pelo Stockholm Resilience Centre com parceiros internacionais, aponta que a modificação do ciclo da água aumenta os riscos do sistema terrestre.
  • Com seis dos nove limites já ultrapassados, a resiliência do sistema terrestre está menor e mudanças regionais podem ocorrer com mais intensidade.
  • A pesquisa destaca que a água verde está conectada a diversos impactos ecológicos, climáticos e hidrológicos, fortalecendo pressões sobre ecossistemas como a Amazônia e o Congo.

O boundary de água doce foi considerado transgredido de forma considerável, segundo nova pesquisa publicada nesta semana na Nature Reviews Earth & Environment. A revisão amplia o conceito para incluir a chamada água verde — chuva, umidade do solo e evaporação — e aponta que o uso humano já excede o espaço seguro para a vida na Terra. A constatação alerta para piora antes de qualquer reversão.

Pesquisadores do Stockholm Resilience Centre, com colaboração de instituições na Alemanha, Holanda, Finlândia, Áustria, Austrália, EUA e Canadá, lideram o estudo. O grupo argumenta que as modificações na água verde elevam riscos no sistema terrestre em escala sem precedentes para sociedades modernas.

A atualização da avaliação utiliza a umidade do solo na zona radicular para medir o novo limite de água verde. O método reflete pressões humanas diretas e impactos em dinâmicas ecológicas, climáticas, biogeoquímicas e hidrológicas.

A pesquisa destaca que mudanças na umidade do solo afetam o ciclo do carbono terrestre e podem inverter florestas em fonte de carbono, caso as emissões sejam altas. Evidências já aparecem em ecossistemas críticos como Amazônia e Congo.

A Amazônia, por exemplo, depende da umidade do solo para sua sobrevivência. Há sinais de aridez em partes da floresta, ligando mudanças climáticas e desmatamento a uma redução de umidade, segundo os autores do estudo.

Essa transgressão ocorre globalmente, variando entre florestas boreais, áreas agrícolas e biomas tropicais. Eventos climáticos extremos e uso da terra aumentam tanto secas quanto encharcamentos, ampliando riscos para o equilíbrio hidrológico.

A equipe ressalta que, com seis de nove fronteiras planetárias já transgredidas, a resiliência do sistema terrestre está significativamente baixa. A continuidade na deterioração eleva o risco de mudanças de regime ambientais regionais.

Para conter a escalada, os autores defendem ações imediatas de gestão hídrica, combate ao desmatamento e à degradção do solo. Tais medidas são vistas como essenciais para retornar a um espaço seguro de operação.

Impactos, drivers e caminhos

O estudo aponta que a mudança de uso da terra, poluição atmosférica e mudanças climáticas atuam de forma integrada na água verde. A equipe recomenda políticas rápidas para reduzir riscos e restabelecer a resiliência do sistema global.

Segundo Lan Wang-Erlandsson, líder do estudo, a modificação do ciclo da água é ampla e complexa, indo além da retirada para consumo humano. A pesquisa enfatiza que o problema envolve múltiplas ações humanas.

Johan Rockström, coautor e diretor do Potsdam Institute, afirma que o atual trajeto global pode colocar a água verde fora dos limites que a Terra tem suportado ao longo de milênios. O alerta é para evitar cruzar pontos de inflexão.

O que vem a seguir

Os autores reforçam a necessidade de ações rápidas para reduzir riscos do sistema terrestre, com foco em mudanças climáticas, manejo do solo e uso da terra. O objetivo é aumentar as chances de manter o espaço operacional seguro.

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