- A cooperação entre humanos e animais, como caçadores de mel que contam com o guizo-dourado (honeyguide) para encontrar colmeias, está sob risco de desaparecer em várias regiões, incluindo Lavumisa, Eswatini, onde apenas quatro caçadores ainda são ativos.
- Um estudo publicado na Conservation Letters aponta que esse tipo de mutualismo entre humanos e animais já foi comum, com exemplos históricos de orcas ajudando caçadores de baleias e lobos auxiliando povos indígenas na caça ao bisão.
- No continente africano, caçadores de mel compartilham cera e larvas com os honeyguides; jovens desinteressados e mudanças culturais são citados como principais ameaças à continuidade desse vínculo.
- Em Niassa, reserva especial no norte de Moçambique, a caça ao mel continua integrada à cultura e à subsistência da comunidade Yao, mostrando que o mutualismo ainda persiste onde há coexistência entre humanos e ambiente natural.
- No Brasil, pescadores cooperam com golfinhos Lahille’s bottlenose para atrair peixes, mas apenas duas áreas ainda mantêm a parceria; fatores como queda de mullet, desinteresse, poluição e morte de golfinhos cooperadores são apontados como ameaças.
O estudo publicado na revista Conservation Letters alerta para o risco de se perder uma tradição humana de cooperação com animais: a mutualismo entre pessoas e animais selvagens. Em Eswatini, no sul da África, o caçador de mel Gcina Dlamini usa um chirrido feito de fruto seco para guiar o inhlava, o honeyguide, na busca por mel. Restam apenas quatro caçadores de mel na região, segundo o estudo.
A pesquisa reúne dados de várias regiões para mostrar como esse tipo de cooperação já foi generalizada. Em muitos lugares, animais como orcas e lobos auxiliavam atividades humanas de caça e pesca. Hoje, essas parcerias estão em risco por mudanças ecológicas, pressões culturais e redução de populações de animais.
Na África, caçadores de mel como Dlamini compartilham cera de abelha e larvas com os honeyguides que os guiam a ninhos. Em Eswatini, a substituição de florestas por plantações de cana dificulta o cenário, e a juventude tem se afastado da prática, segundo entrevistas do estudo.
Indígenas mantêm a prática em Niassa, Moçambique, onde a caça de mel é parte da cultura Yao. A remota área nordeste facilita a convivência entre humanos e honeyguides. Pesquisadoras destacam que a cooperação continua enquanto houver respeito pela coexistência com a natureza.
Pesquisas indicam que a cooperação entre humanos e honeyguides aumenta as chances de encontrar ninhos. Há benefícios para ambos os lados: as abelhas fornecem mel e o guia obtém cera e larvas como recompensa. Ainda assim, mudanças sociais podem reduzir a eficiência da parceria.
Em outra frente, no Brasil, pescadores do sul mantêm relação com golfinhos Lahille, que ajudam a conduzir cardumes para a costa. O estudo aponta queda de populações de golfinhos cooperativos e desafios como queda de mullet, poluição sonora subaquática e redes de pesca não colaborativas.
Especialistas ressaltam que a preservação desse tipo de interação requer envolvimento das comunidades locais. A cooperação entre humanos e animais, quando bem conduzida, pode servir de modelo para conservação e bem-estar das comunidades dependentes desses ambientes.
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