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Mezcal em alta global leva cientistas e comunidades a plantações sustentáveis

Mezcal em alta impulsiona monoculturas; projeto piloto aposta em agroecologia para proteger o tobalá e polinizadores, assegurando sustentabilidade e renda rural

Andres Herrera in an empty palenque (a local mezcal production site) in Santa María Ixcatlán. Image by Noel Rojo for Mongabay.
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  • Palenques em Santa María Ixcatlán estão vazios antes das celebrações do Dia dos Mortos, por falta de agave maduro na natureza.
  • A popularidade global do mezcal impulsionou a sobreexploração de agaves e expansão de monoculturas, com produção de mais de 8 milhões de litros em 2021, majoritariamente para mercados internacionais.
  • A espécie tobala (Agave potatorum) está vulnerável e se tornou cada vez mais rara na região, dificultando a obtenção do agave tradicional.
  • Pesquisadores e comunidades promovem um projeto de policultura agroecológica em cinco estados para conservar biodiversidade e atender à demanda sem devastar ecossistemas.
  • Em San Juan Raya, cerca de 8 mil plantas de agave já foram transplantadas, com até 30% reservadas para alimentar polinizadores e o restante comercializado para mezcal, com maturação prevista em dois anos.

Amid a global mezcal boom, cientistas e comunidades testam plantações sustentáveis no México. Em Santa María Ixcatlán, a reserva Tehuacán-Cuicatlán, palenques aparecem vazios antes das celebrações do Dia de Finados. O motivo é a escassez de agave maduro na natureza, diz Andres Herrera, presidente da secretaria local de recursos comunitários.

A falta de tobalá, agave nativo usado para o mezcal local, preocupa produtores. O tobalá leva cerca de 12 anos para maturar, e hoje é raro na região. A colheita de agave silvestre aumenta a pressão sobre ecossistemas e espécies associadas, segundo especialistas.

Para responder, pesquisadores e agricultores promovem um projeto conjunto em cinco estados. A iniciativa visa agroecossistemas de policultura, com plantio de agave nativo intercalado a cactos, leguminosas e outras espécies. A meta é atender a demanda sem comprometer a biodiversidade.

Projeto de plantio sustentável

Em San Juan Raya, a equipe liderada por Valiente mantém uma estufa cercada para proteger as mudas. Hoje, cerca de 45 mil plantas de Agave Potatorum e Agave Marmorata aguardam plantio. As mudas são semeadas e cultivadas com cuidado, evitando monoculturas.

Ao lado, sacos de milho contêm milhares de plântulas de três anos, prontas para o plantio em áreas selecionadas da reserva. Aproximadamente 8 mil agaves já foram transplantados; 2,3 mil possuem numeração para monitorar o papel de plantas vizinhas no desenvolvimento.

Valiente explica que o plantio sob copas diversas reduz mortes de muda. Espécies leguminosas, como Mimosa Luisana, recomendadas em pesquisas, ajudam a fixar nitrogênio e fortalecem o solo. Até o momento, não houve registro de pragas relevantes no viveiro.

Segundo o plano, até 30% das plantas ficarão como cobertura viva para alimentar morcegos e insetos que dependem do néctar das flores. Os 70% restantes devem ser vendidos para a produção de mezcal. O projeto é de longo prazo e enfrenta resistência econômica local.

Contexto ambiental e regulamentação

Hoje, a certificação de mezcal cobre 98% do que é produzido no país, com 5.659 áreas autorizadas a extrair agave, em mais de 65 mil hectares. A maior parte das áreas ainda é de monocultivo. A polinização depende do morcego frugívoro Leptonycteris yerbabuenae, principal vetor de várias espécies de agave e cactos.

Especialistas alertam que a retirada de corações do agave antes da floração reduz recursos florais para as espécies que dependem do mamífero. A queda na população de morcegos pode afetar todo o ecossistema da região, segundo pesquisadores.

Há preocupação com desmatamento ligado ao espadín, a variedade de agave mais comum para mezcal. Em estados como Hidalgo, México e Tlaxcala já existem leis locais para proteger a diversidade de agave e os ecossistemas. A implementação de políticas federais ainda é discutida.

Perspectivas e próximos passos

A equipe de Valiente busca ampliar o uso de agroecossistemas em Oaxaca, Guerrero e outros estados, envolvendo comunidades locais. A expectativa é tornar as plantações mais resilientes e economicamente viáveis, com retorno gradativo para os produtores.

A experiência de San Juan Raya serve de modelo para outras comunidades da reserva e além. A parceria entre pesquisadores e produtores visa equilibrar demanda mundial por mezcal com conservação de habitat e biodiversidade regional.

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