- Um estudo prevê que, com a operação do terminal de LNG em Kitimat em 2030, dois baleias-cines finas e dezoito baleias-jubarte podem morrer por colisões com navios anualmente nas águas territoriais da Nação Gitga’at, no norte da Colúmbia Britânica.
- As mortes devem subir para dois vezes e quatro vezes, respectivamente, em relação aos níveis atuais, com maior parte dos óbitos no mês de agosto, quando as baleias se reúnem na região.
- O LNG Canada, com investimento de cerca de C$ 48 bilhões, exportará até vinte e seis milhões de toneladas métricas de LNG por ano e deve ampliar o tráfego de navios na região.
- Pesquisadores sugerem medidas de mitigação como zones de desaceleração e redução da velocidade de grandes navios para até dez nós, especialmente em hotspots de baleias, além de limitar o tráfego de LNG em agosto.
- Autoridades e comunidades locais, incluindo a Nação Gitga’at, ressaltam a necessidade de ações rápidas e transparentes para proteger as baleias diante do aumento do transporte marítimo.
No norte da Colúmbia Britânica, pesquisadores da BC Whales analisaram imagens de drone que mostraram Moon, uma baleia-jubarte, com a espinha torta e a metade traseira paralisada, possivelmente após colisão com navio. Moon, que costuma nadar com filhotes nos canais da região, pode ter morrido meses depois de sofrer a colisão, segundo o estudo.
A constatação aponta que colisões entre navios e baleias podem causar morte ou ferimentos graves, levando à desnutrição ou infecções. Em entrevista, o diretor científico da BC Whales afirmou que o caso de Moon traduz um destino pior do que a morte para a baleia.
O estudo recente, liderado por Eric Keen, aponta que, com o aumento do tráfego de navios nas vias de uso turístico em Prince Rupert e Kitimat, o risco de colisões tende a aumentar na região. A pesquisa foi publicada na revista Endangered Species Research.
Panorama e projeções
A pesquisa prevê que, até 2030, ocorram dois ataques fatais a baleias-fin e 18 jubartes anualmente nas águas territoriais da nação github Gitga’at e áreas vizinhas, aumentando significativamente as mortes comparadas ao cenário atual. A maioria das fatalidades deve ocorrer em agosto, período de concentração de baleias.
As águas da região abrigam baleias-fin, jubartes e orcas há milênios. A recuperação após a caça comercial, no século XX, tem sido gradual, com mais de 450 jubartes e pouco mais de 120 baleias-fin estimadas na região hoje. Baleias-fin são consideradas espécie ameaçada; jubartes, de especial preocupação.
O aumento do tráfego mundial de navios é apontado como a maior ameaça às baleias, superando em impacto outros riscos como redes de pesca e ruído subaquático. Estudos indicam que velocidades acima de 12 nós elevam o risco de mortes por colisão.
LNG Canada e impactos operacionais
O estudo compara o tráfego atual com cenários futuros após a entrada em operação do terminal de LNG em Kitimat, previsto para 2030. O projeto envolve um complexo exportador de gás natural liquefeito e promete milhares de empregos locais, além de receber fundos à comunidade Gitga’at.
Estimativas indicam que o terminal movimentará cerca de 350 navios adicionais por ano. A presença dessas embarcações elevá o tráfego na região e tende a aumentar os encontros entre navios e baleias. As autoridades discutem medidas de mitigação.
O modelo de risco sugere que reduzir a velocidade de grandes navios para 10 nós em áreas de baleias pode reduzir mortes. Uma zona de desaceleração ao redor de áreas críticas é defendida pela BC Whales como medida de proteção.
Medidas e recomendações
Os autores recomendam reduzir velocidades de passagem e estabelecer zonas de desaceleração principalmente em agosto, quando as baleias estão mais presentes. Há também propostas para reduzir ruídos subaquáticos e emissões associadas ao tráfego marítimo.
A comunidade Gitga’at participa de discussões sobre práticas de navegação seguras. A entidade relembra a importância de proteger as baleias em seu território e apela a medidas efetivas de mitigação com a indústria e autoridades.
O estudo ressalta que a mitigação exige ações rápidas, com avaliações contínuas de impacto ambiental. Instituições públicas e setores privados são orientados a considerar o custo ambiental frente aos benefícios econômicos do LNG.
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