- SP é a cidade com pior posição no estado em ilhas de calor, medida pelo coeficiente da plataforma UrbVerde, que considera intensidade, área e população vulnerável.
- A diferença de temperatura de superfície entre bairros ricos e pobres pode passar de dez graus Celsius, devido à vegetação presente nas áreas mais favorecidas.
- Entre Paraisópolis e Morumbi há uma diferença de cerca de nove graus Celsius, destacando a distribuição desigual de calor na cidade.
- A UrbVerde, criada em 2023 por USP e outras universidades, reúne dados de temperatura, vegetação e distribuição de parques para apoiar políticas públicas e ações de mitigação.
- A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente informa avanços: seis parques em funcionamento, outros seis em implementação, 32 áreas verdes particulares declaradas de utilidade pública em 2024 e plantio de 85.250 árvores no ano passado.
A cidade de São Paulo está em pior posição entre os municípios do estado quanto às ilhas de calor, áreas com temperaturas acima da média. A avaliação usa o coeficiente da UrbVerde, da USP, em parceria com outras universidades.
O índice aponta que a intensidade das ilhas de calor, somada à população de idosos e crianças, eleva o impacto na capital. Assim, o pior desempenho não depende apenas da temperatura, mas do público vulnerável atingido.
A UrbVerde, lançada em 2023, reúne dados sobre temperatura, vegetação, parques e distribuição de renda. O objetivo é orientar políticas públicas e ações da sociedade civil frente às mudanças climáticas.
A plataforma compara municípios paulistas com dados de 2016 a 2021 e mostra que a cidade tem temperaturas de superfície de até 42°C, medidas por satélite. Os resultados revelam desigualdades na exposição ao calor.
De acordo com Marcel Fantin, da USP em São Carlos, o mapa evidencia a distribuição desigual dos ônus e benefícios ambientais. Qualquer leitura aponta para maior calor em áreas de menor renda.
Bairros com maior cobertura vegetal, como Jardim Paulista, Morumbi e Alto de Pinheiros, registram temperaturas mais amenas e melhor qualidade de vida. Já áreas periféricas concentram ilhas de calor.
Entre as áreas mais vulneráveis estão Paraisópolis, Jardim Ângela, Cidade Ademar, Carrão, Vila Formosa, Ermelino Matarazzo, Vila Medeiros, Freguesia do Ó, Jaguaré, São Mateus e outras regiões com pouco verde.
A diferença de temperatura entre bairros ricos e pobres pode superar 10°C, segundo os dados da UrbVerde. A vegetação favorece resfriamento e melhora a qualidade do ar.
Segundo a relação observada, áreas com menos renda têm menos áreas verdes, maior densidade e maior risco de desastres climáticos, como enchentes e deslizamentos, em eventos extremos.
A UrbVerde permite acompanhar a correlação entre vegetação e temperatura de forma espacial. A equipe pretende ampliar a base de dados para todo o Brasil até o fim de 2024.
Cidade vulnerável
Além das zonas com calor elevado, a Região Metropolitana funciona como uma ilha de calor. Superfícies impermeáveis elevam a temperatura do conjunto urbano.
Ondas de calor têm se tornado mais frequentes por mudanças climáticas. Em 2024, São Paulo já viveu pelo menos quatro episódios desse tipo, ampliando a pressão sobre serviços públicos.
Secretaria municipal do Verde e do Meio Ambiente informou avanços: seis parques inaugurados desde 2021, outros seis em implementação, entre eles Sapopemba, Campo Limpo e Mooca.
Parques já em funcionamento ficam em Santo Amaro, Paraisópolis, Consolação, Grajaú, Butantã e Santa Cecília. A pasta também destacou 32 áreas verdes particulares declaradas de utilidade pública em 2024.
A cidade afirma ter plantado 85.250 árvores no ano passado, com foco em áreas como São Mateus e Capela do Socorro, além de manter o Plano de Ação Climática ativo desde 2021.
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