- Em Malawi, o FAO e a Slow Food Coffee Coalition lançaram, em 2022, um projeto piloto para promover café cultivado em agrofloresta entre pequenos produtores.
- No distrito de Rumphi, o café é cultivado em encostas montanhosas, intercalado com banana, abacate, manga e outras culturas; exemplos de produtores como Martha Mhango, com 22 anos de experiência.
- O objetivo é aumentar a resiliência climática, a qualidade do café e ligar os produtores a mercados internacionais, com certificação por sistemas de garantia participativa (PGS).
- O grupo Nkhonthwa, com 58 produtores, alcançou $33 mil na última safra e já fechou contrato com comprador da Bélgica.
- Desafios persistem: necessidade de compradores estáveis, mais capital para equipamentos, armazenagem e transporte; agrofloresta tem apontado benefícios como redução de custos e melhoria de renda.
O cultivo de café em agrofloresta ganha espaço entre os pequenos produtores do norte de Malawi. Em Rumphi, na área ao redor do Planalto Nyika, o café convive com bananeiras, frutos e peixes, adaptando-se às encostas íngremes. A prática visa fortalecer a resiliência climática e a qualidade do grão.
A iniciativa é resultado de um projeto piloto lançado em 2022 pela FAO e pela Slow Food Coffee Coalition (SFCC). O objetivo é integrar agrofloresta à produção de café e abrir mercados internacionais, com ênfase em cadeias sustentáveis.
Martha Mhango, produtora há 22 anos, participa do programa no vilarejo próximo ao Nyika National Park. Ela destaca que o café sustenta famílias na região, onde a cultura ainda é central para muitas comunidades.
Desenvolvimento e impacto
A agrofloresta envolve plantar árvores e arbustos junto aos cultivos, permitindo segurança alimentar, maior renda e preservação da biodiversidade. Em Rumphi, os agricultores passaram a intercalar café com banana, avocado, manga e outras culturas, reduzindo custos com insumos químicos.
A organização phoka, cooperativa local, já comercializa parte da produção para mercados europeus. Em uma safra recente, o grupo de 58 produtores fechou venda de 33 mil dólares, melhoria considerável frente a anos anteriores.
Farmers como Hackson Msiska, presidente do grupo, relatam dificuldade com a comercialização anterior, marcada por intermediários. Com a nova estrutura, há contratos diretos com compradores europeus, o que melhora preços e condições de processamento.
Vera Msiska, agricultora, aponta redução de custos com fertilizantes e pesticidas, substituídos por compostos orgânicos. A prática também ajuda na gestão de pragas, elevando a lucratividade sem comprometer o meio ambiente.
Desafios e perspectivas
Equipes locais destacam a necessidade de ampliar a base de compradores estáveis e de acesso a financiamento para modernizar equipamentos e armazenagem. As organizações envolvidas reconhecem que o apoio público ainda é essencial para ampliar o alcance.
Pesquisas regionais apontam fatores críticos para a produtividade, como pragas, variações climáticas e assistência técnica. Estudos sugerem que a agrofloresta pode aumentar a qualidade do café certificado e a resiliência das plantações.
Especialistas lembram que a transição exige políticas públicas que valorizem o café produzido por agrofloresta e conectem produtores a cadeias de consumo responsáveis. O projeto busca ampliar a adoção e consolidar mercados.
Mercado e certificação
Segundo Manvester Khoza, da SFCC, a demanda por cafeicultura orgânica vem crescendo, com consumidores buscando produtos menos agressivos ao meio ambiente. A parceria facilita o acesso a mercados que reconhecem produção tradicional e sustentável.
Khoza ressalta que, desde a participação no consórcio, os produtores de Rumphi têm mostrado interesse em ampliar a produção e manter padrões de qualidade para atender compradores europeus.
O projeto, apresentado em julho em evento da FAO em Roma, destaca o potencial da agrofloresta para enfrentar mudanças climáticas e reconfigurar o futuro da cafeicultura na região.
Noel Nyirenda e outros agricultores mostram demonstrações de manejo intercalado entre café, banana e outras culturas, como forma de reduzir pragas e melhorar a produtividade. A prática também ajuda no manejo de solos e na alocação de terras para consumo e renda.
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