- Globalmente, a produção de plásticos atingiu mais de 11 bilhões de toneladas entre 1950 e 2022, com pelo menos setenta e um por cento produzidos no século XXI.
- Cerca de três quartos desses plásticos foram descartados em aterros, lixões a céu aberto ou no ambiente, levando a acúmulo de lixo e microplásticos em oceanos, rios, cidades e ambientes remotos.
- Efeitos na saúde humana ganham evidência: microplásticos e milhares de aditivos químicos podem entrar no corpo, com ligações potenciais a câncer, doenças imunes e outros impactos.
- Um relatório da revista One Earth, divulgado em novembro, propõe um quadro global dos impactos dos plásticos e reforça a necessidade de regulamentar todo o ciclo de vida, já em preparação para a cimeira anual de negociação do tratado global de plástico.
- Organizações e países pipema promoverem limites vinculantes à produção de plástico; nos Estados Unidos, o governo sinalizou apoio a limites, mas houve recuo político, o que preocupa defensores de um acordo forte a ser finalizado em Busan.
O debate sobre plástico deixa de ser apenas um problema de lixo para se tornar uma crise de saúde pública global. Entre 1950 e 2022, foram fabricadas mais de 11 bilhões de toneladas de plásticos virgens, com 71% produzidos no século XXI.
A maior parte dessas substâncias acabou em aterros, despejos abertos ou no ambiente. Oceanos, praias, rios e cidades carregam lixo plástico e têxteis sintéticos, enquanto microplásticos são encontrados desde polos até altas montanhas e nuvens.
Estudos indicam que microplásticos entram no corpo humano e causam danos internos, com milhares de químicos que migram de embalagens, utensílios e contêineres. Diversas substâncias estão associadas a impactos na imunidade, câncer e desenvolvimento.
Em um relatório publicado em One Earth, pesquisadores reúnem impactos do plástico em uma visão global, antes da última rodada de negociações de um tratado internacional sobre plástico, marcada para ocorrer em Busan, na Coreia do Sul, entre 25 de novembro e 1º de dezembro.
O estudo afirma que, apesar dos benefícios, a poluição por plásticos ameaça meio ambiente, segurança alimentar e saúde humana. A pesquisa aponta que a cadeia de suprimentos começa na extração de petróleo e na fabricação de ingredientes petroquímicos.
Pacotes, brinquedos e vestuário costumam incorporar misturas de aditivos — plastificantes, retardantes de fogo e pigmentos — que podem chegar a 70% do peso do produto. Entre os mais preocupantes estão disruptores endócrinos, como BPA, ftalatos e PFAS, presentes em plásticos.
Mesmo com o debate sobre reciclagem, a prática pode amplificar a toxicidade se mal feita. Produtos como espátulas de plástico pretas ou embalagens de delivery foram encontrados com elevados níveis de retardantes de chama, problemáticos para a saúde pública.
Quando o plástico se degrada, surgem microplásticos que se espalham por alimentos, água e ar. Microfibras de roupas, partículas nanométricas de embalagens e até fórmula infantil com garrafas de polietileno são exemplos de vias de exposição do dia a dia.
Pesquisas já associam microplásticos a marcadores de risco em doenças cardíacas, inflamação intestinal e danos celulares no laboratório. A relação causal ainda exige mais evidências, ressaltando a necessidade de precaução e atuação contínua.
A indústria petroquímica é citada como principal geradora de novos plásticos, enquanto pesquisadores destacam a opacidade sobre a composição química de muitos produtos. Organizações científicas pedem transparência e regulamentação abrangente do ciclo de vida do plástico.
Além da saúde, a poluição plástica afeta ecossistemas aquáticos, agropecuária e qualidade de vida. A ausência de padrões globais rígidos dificulta a proteção de populações vulneráveis e de comunidades costeiras.
No cenário internacional, uma coalizão de mais de 60 países defende uma regulação completa do ciclo de vida do plástico. A expectativa é avançar no texto do tratado em Busan, fortalecendo compromissos de redução e gestão de resíduos.
Nos EUA, recentes mudanças na posição oficial sobre limites de produção geraram receio entre defensores de um acordo vinculante. Com a cúpula de Busan próxima, há pressão para manter metas ambiciosas, independentemente de mudanças políticas.
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