- Debaixo da cobertura de gelo da Antártida existem pelo menos cem vulcões subglaciais, alguns com picos acima da superfície.
- Um estudo com quatro mil simulações, publicado no Geochemistry, Geophysics, Geosystems, aponta que o derretimento do gelo pode aumentar a frequência e o tamanho das erupções subglaciais.
- O mecanismo envolve menor pressão sobre câmaras de magma; com a remoção do gelo, o magma se expande, elevando a pressão e levando a erupções.
- Câmaras de magma cheias de gases voláteis funcionam como bolhas de refrigerante, aumentando a pressão à medida que o gelo se desfaz.
- O derretimento pode sustentar um ciclo: quanto mais gelo derrete, mais erupções ocorrem e aceleram o degelo; o fenômeno ocorre ao longo de séculos e pode ter contribuído para a redução da camada de gelo na última era do gelo.
A mudança no gelo da Antártida pode estimular vulcões ocultos sob o continente. Um estudo recente, realizado por pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha, usou quatro mil simulações computacionais para entender o efeito do derretimento do gelo sobre atividades vulcânicas subglaciais. A pesquisa foi publicada em uma revista científica internacional.
Segundo os resultados, há ao menos 100 vulcões debaixo da camada de gelo, com alguns seus picos expostos e outros localizados a quilômetros de profundidade. A redução da pressão causada pela perda de gelo pode permitir que o magma se expanda e gere erupções.
O estudo alerta que muitos desses vulcões ficam sob camadas de gelo, o que pode dificultar a detecção de erupções. O calor gerado pelas explosões subglaciais também tende a acelerar o degelo, alimentando um ciclo de feedback destrinchado pela pesquisa.
Mecanismo por trás do possível aumento
A liberação de gases voláteis presos nas câmaras de magma é citada como justificativa para a intensificação de pressões internas. Com o derretimento, esses gases agem como bolhas de refrigerante, elevando a pressão e potencialmente provocando erupções. O efeito é gradual e observado ao longo de séculos, conforme indicado pelos autores.
A equipe ressalta que, embora o cenário indique maior probabilidade de atividades subglaciais, não representa uma previsão direta de que ocorrerão erupções com velocidade ou magnitude específicas. O estudo enfatiza a natureza probabilística do resultado e a complexidade do sistema antártico.
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