- World Rewilding Day é celebrado em 20 de março, criado há quatro anos pela Global Rewilding Alliance para destacar o restabelecimento de ecossistemas.
- No Brasil, o grande papagaio-de-bico? não, o great-billed seed finch (Sporophila maximiliani) retornou ao Cerrado após extinção local de mais de cinquenta anos; desde 2018 foram liberados mais de 300 exemplares criados em cativeiro e começam a se reproduzir.
- Na Indonésia, no arquipélago de Raja Ampat, o tubarão-zebra (Stegostoma tigrinum) — antes próximo da extinção funcional — recebe ovos enviados de Las Vegas para ampliar a população, com meta de ter pelo menos quinhentos indivíduos livres no mar.
- Na Argentina, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) foi reintroduzido no Parque Nacional Iberá em 2007 e, de lá, já se espalhou para o sul do Brasil, com avistamentos em 2024 após gerações estimuladas pelo programa.
- Especialistas alertam que rewilding envolve planejamento, monitoramento e pesquisa científica ao longo de anos, para que animais criados em cativeiro sobrevivam na natureza e o ecossistema suporte a nova população.
World Rewilding Day celebra esforços de recuperação de espécies em vários continentes. O dia, instituído há quatro anos pela Global Rewilding Alliance, reforça a importância de restabelecer ecossistemas e permite que a vida selvagem se fortaleça.
Diversos projetos ao redor do mundo mostram resultados promissores, com espécies resgatadas do cativeiro ou próximas da extinção voltando a ocupar seus habitats naturais e a se reproduzirem sob monitoramento.
A songbird retorna ao Cerrado
No Brasil, o pássaro canário-do-milho (Sporophila maximiliani) retornou ao Cerrado após mais de 50 anos de extinção local. A espécie foi alvo do tráfico ilegal, com alguns exemplares vendidos por até 8 mil dólares.
Desde 2018, organizações liberaram mais de 300 canários em uma reserva no sudeste do país. O monitoramento pós-libertação indica adaptação ao ambiente e início de reprodução.
Tubarões-zebra no caminho da recuperação
Nas águas da Indonésia, na arquipélago de Raja Ampat, o tubarão-zebra (Stegostoma tigrinum) foi considerado funcionalmente extinto, restando cerca de 20 indivíduos. Cientistas enviaram ovos de tubarão para a região, na esperança de alcançar 500 animais livres nos próximos anos.
A iniciativa envolveu a Shark Reef Aquarium, de Las Vegas, com envio de ovos coletados globalmente para o arquipélago.
Tamanduás-guái retomam área histórica
Nas áreas alagadas da Argentina, o tamanduá-guia gigante (Myrmecophaga tridactyla) foi reintroduzido em 2007 no Parque Nacional Iberá, abrangendo 758 mil hectares. Generações subsequentes prosperam em seu habitat original.
O sucesso local inspirou registros em território brasileiro, com avistamentos no sul do Brasil pela primeira vez em 130 anos, no início de 2024.
O aprendizado da rewilding
Especialistas destacam que o rewilding não é apenas soltar animais. A prática exige planejamento, monitoramento e pesquisa científica de longo prazo para sustentar o ecossistema e garantir a sobrevivência de indivíduos criados em cativeiro.
Segundo a ecóloga Fábio Mazim, o retorno de grandes mamíferos entre regiões indica capacidade de suporte ambiental e boa saúde do ecossistema. Este processo demanda anos de esforço coordenado.
A imagem de destaque mostra um tamanduá-guia gigante em áreas úmidas argentinas, retrato de uma ação regional de rewilding.
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