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Cientistas se preparam para estudar cápsulas do tempo da Amazônia

Mais de dois mil tubos de testemunhos do subsolo da Amazônia serão enviados para a Universidade de Minnesota, revelando cerca de 25 milhões de anos de história do bioma

Vista aérea do sítio de perfuração do projeto TADP na Ilha de Marajó, no município de Bagre (PA) - Foto: Carlos Mazoca / IGC-USP
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  • Mais de dois mil tubos plásticos com amostras do subsolo da Amazônia devem ser enviados da USP para a Universidade de Minnesota, no âmbito do projeto internacional TADP.
  • A perfuração na margem sul da Ilha de Marajó, no Pará, alcançou 924 metros de profundidade, coletando sedimentos que remontam a cerca de 25 milhões de anos.
  • Os testemunhos contêm sedimentos que registram clima, paisagem e biodiversidade do passado, com vestígios de pólen e carvão indicando vegetação e incêndios da época.
  • Após burocracias, o material será aberto para coletar amostras menores e distribuídas entre especialistas; cerca de sessenta pesquisadores de várias áreas participam do projeto.
  • O objetivo é entender a evolução da malha fluvial da Bacia Amazônica e a origem do Rio Amazonas, usando luminescência para datação de sedimentos mais recentes e outras técnicas para os mais antigos.

Cientistas se preparam para enviar mais de dois mil tubos plásticos com amostras do subsolo da Amazônia aos EUA. O material, coletado na Ilha de Marajó, no Pará, chegou a 924 metros de profundidade entre maio e setembro de 2024 e será encaminhado ao laboratório da Universidade de Minnesota. A iniciativa integra o Projeto de Perfuração Transamazônica (TADP), que envolve pesquisadores de 12 países.

Os testemunhos guardam sedimentos derivados de detritos de plantas, animais, solos e rochas. A ideia é reconstruir cerca de 25 milhões de anos de história do bioma, com foco no clima, na paisagem e na biodiversidade da Amazônia antiga. O local de perfuração, próximo à foz do rio Amazonas, reúne materiais represen-tativos de toda a bacia hidrográfica.

O pesquisador André Sawakuchi, coordenador brasileiro do TADP, explica que cada tubo funciona como uma cápsula do tempo. Vasos contêm vestígios que ajudam a entender desde a cobertura vegetal até a intensidade de incêndios passados, por meio de análises de pólen e carvão presentes nos sedimentos.

Linhas de pesquisa

Após trâmites burocráticos, as amostras serão enviadas de avião para o repositório da Universidade de Minnesota, que já recebeu testemunhos de perfurações anteriores no Acre. A expectativa é abrir os testemunhos para coletar amostras menores, distribuídas entre especialistas do projeto.

Cerca de 60 pesquisadores participam da iniciativa, com atuação em laboratórios e universidades públicas brasileiras, como Unicamp, Unifesp, UFF, Uerj, Ufac, Ufam, UFSE, UFMT, UFPA e UnB, além do Museu Emílio Goeldi. No Brasil, o IGc da USP coordena o trabalho, com participação de outras instituições nacionais.

As técnicas de luminescência usadas por Sawakuchi ajudam a estimar a idade e a origem geográfica dos sedimentos até cerca de 500 mil anos. Para datas mais antigas, utiliza-se uma combinação de métodos baseados em isótopos e microfósseis, ampliando o alcance temporal das análises.

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