- Um estudo genômico publicado em julho de 2023 na revista Science revelou que os cães da Groenlândia, conhecidos como Qimmit, não têm alta ancestralidade com lobos, desafiando crenças populares.
- A pesquisa analisou a genética desses cães, que convivem com os povos Inuit há quase mil anos, e mostrou que a população caiu de 25 mil em 2002 para 13 mil em 2020, devido à urbanização e à competição com veículos motorizados.
- Os pesquisadores sequenciaram 92 genomas de cães antigos e modernos, encontrando ausência de hibridização com lobos e pouca influência genética europeia.
- Os Qimmit estão mais relacionados a raças como huskies e malamutes, que têm origem no Nordeste Asiático.
- As descobertas podem ajudar na preservação da raça, contribuindo para entender melhor a diversidade genética e as necessidades dos cães da Groenlândia.
Qimmit: A Nova Revelação Genômica dos Cães da Groenlândia
Um estudo genômico recente revelou que os cães da Groenlândia, conhecidos como Qimmit, não possuem altos níveis de ancestralidade com lobos, desafiando a crença popular. Publicada em julho de 2023 na revista *Science*, a pesquisa analisou a ancestralidade genética desses cães, que têm uma história de convivência com os povos Inuit há quase mil anos.
Os Qimmit, utilizados tradicionalmente para puxar trenós em ambientes nevados, enfrentam uma drástica diminuição populacional. O número de cães caiu de 25 mil em 2002 para apenas 13 mil em 2020, devido a fatores como a urbanização e a competição com veículos motorizados. A coautora do estudo, Tatiana Feuerborn, destacou a importância da relação entre os Inuit e seus cães, afirmando que suas histórias estão intrinsecamente ligadas.
Descobertas Surpreendentes
Os pesquisadores coletaram amostras de DNA de restos de cães antigos, com até 800 anos, e compararam com amostras de Qimmit vivos. Apesar das dificuldades na preservação do DNA, a equipe conseguiu sequenciar 92 genomas modernos e antigos. Um dos achados mais surpreendentes foi a ausência de ancestralidade recente de lobos nos Qimmit, mesmo com sua aparência semelhante. Feuerborn expressou surpresa ao não encontrar evidências de hibridização entre cães e lobos, como era amplamente acreditado.
Além disso, a pesquisa indicou que os Qimmit têm pouca influência genética europeia, sendo mais relacionados a raças como huskies e malamutes, que têm origem no Nordeste Asiático. Kelsey Witt Dillon, geneticista da Universidade Clemson, também se mostrou surpresa com a limitação do fluxo gênico europeu nos cães, mesmo após o contato com europeus.
Preservação da Espécie
As descobertas do estudo não apenas desafiam noções preconcebidas sobre a ancestralidade dos Qimmit, mas também oferecem insights valiosos para a preservação da raça. Com a população em declínio, a pesquisa pode ajudar a entender melhor a diversidade genética e as necessidades dos cães da Groenlândia, contribuindo para a sua conservação em um ambiente em rápida mudança.
Entre na conversa da comunidade