- O canal de Chiquimulilla, na Guatemala, enfrenta erosão, perda de manglares e espécies invasoras, afetando a pesca e a economia local.
- O projeto “Alas e Raíces Resilientes”, liderado pela bióloga María de los Ángeles Schoenbeck, visa restaurar mais de 40 hectares de mangue e reativar ecossistemas.
- Iniciado em 2022, o projeto foca no empoderamento de mulheres e na implementação de soluções baseadas na natureza, além de promover a educação ambiental.
- As comunidades de Monterrico, La Curvina, La Avellana, Agua Dulce e El Pumpo enfrentam desafios na pesca, com a captura de peixes em queda.
- As mudanças climáticas intensificam a crise, com chuvas em 2024 sendo 20% a 30% superiores ao normal, resultando em erosão acelerada e comprometendo a pesca.
Desafios e Iniciativas no Canal de Chiquimulilla
O canal de Chiquimulilla, na Guatemala, enfrenta uma grave crise ambiental, marcada pela erosão, perda de manglares e a presença de espécies invasoras. Essas questões impactam diretamente a pesca e a economia local, afetando a vida de centenas de famílias.
A bióloga María de los Ángeles Schoenbeck lidera o projeto “Alas e Raíces Resilientes”, que busca restaurar mais de 40 hectares de mangue e reativar os ecossistemas da região. O projeto, iniciado em 2022, visa empoderar mulheres e implementar soluções baseadas na natureza, promovendo a educação ambiental e a revitalização de práticas tradicionais de pesca e ecoturismo.
As comunidades de Monterrico, La Curvina, La Avellana, Agua Dulce e El Pumpo enfrentam diariamente os efeitos da erosão e das mudanças climáticas. A pesca, que antes era uma fonte de sustento, agora apresenta desafios significativos. Mynor Yonel López Pérez, pescador local, relata que os dias de pesca não garantem mais o sustento familiar, com a captura de peixes em queda acentuada.
Ação Coletiva e Empoderamento
O projeto de Schoenbeck não apenas busca restaurar o mangue, mas também envolve as mulheres na reforestação e no monitoramento da fauna. Muitas participantes, como Sandra Patricia De León Valladares, descobriram o valor do mangue e aprenderam a utilizar técnicas de agricultura sustentável, como as chinampas, para reverter a degradação ambiental.
A educação ambiental é um dos pilares do projeto, com foco em conscientizar as comunidades sobre a importância do mangue para a biodiversidade e a economia local. As mulheres, que historicamente desempenharam papéis secundários, agora se tornam protagonistas na luta pela preservação do ecossistema.
Impactos das Mudanças Climáticas
As mudanças climáticas intensificam a crise no canal. A Organização Meteorológica Mundial aponta que as chuvas em 2024 foram 20% a 30% superiores ao normal, resultando em erosão acelerada e sedimentação. O aumento da temperatura da água e a salinização comprometem ainda mais a pesca, levando muitos jovens a migrar em busca de melhores oportunidades.
As causas da degradação são múltiplas, incluindo monoculturas e urbanização desordenada. O projeto “Alas e Raíces Resilientes” busca mitigar esses efeitos, abrindo mini canais que misturam água doce e salgada, essenciais para a sobrevivência do mangue e da fauna local.
Com a participação ativa das comunidades, especialmente das mulheres, a esperança de restaurar o canal e garantir a sobrevivência cultural e econômica das famílias se torna uma realidade palpável. A luta por um futuro sustentável continua, enquanto as comunidades se mobilizam para enfrentar os desafios impostos pela crise ambiental.
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