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Indígena resgata saberes médicos tradicionais de sua cultura ancestral

Hemerson Dantas dos Santos Pataxó Hã-Hã-Hãi resgata saberes ancestrais e catalogou 175 plantas medicinais para fortalecer a saúde da comunidade.

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  • Hemerson Dantas dos Santos Pataxó Hã-Hã-Hãi catalogou 175 plantas medicinais em um estudo inédito.
  • Ele é doutorando na Universidade Federal de São Paulo e é considerado o primeiro pesquisador etnobotânico indígena do mundo.
  • A pesquisa visa resgatar saberes curativos ancestrais e atender às necessidades de saúde da comunidade Pataxó Hã-Hã-Hãi.
  • O estudo revelou que 79% das plantas catalogadas têm uso confirmado pela literatura científica.
  • A pesquisa utilizou a etnobotânica participativa, envolvendo a comunidade no processo de resgate e documentação dos saberes.

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – O etnobotânico Hemerson Dantas dos Santos Pataxó Hã-Hã-Hãi resgatou saberes curativos ancestrais de seu povo, catalogando 175 plantas medicinais em um estudo inédito. Atualmente doutorando na Universidade Federal de São Paulo, ele é considerado o primeiro pesquisador etnobotânico indígena do mundo. O artigo, publicado no Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, destaca a importância da etnobotânica participativa.

O estudo foi motivado pela perda progressiva de saberes ancestrais e buscou atender às demandas da comunidade Pataxó Hã-Hã-Hãi, que enfrenta problemas de saúde como verminoses, diabetes e hipertensão. A pesquisa revelou que 79% das plantas catalogadas têm uso corroborado pela literatura científica recente. Entre as mais utilizadas estão o mastruz, a moringa e o capim-cidreira, sendo que duas dessas espécies são exóticas.

Contexto Histórico

A Terra Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãi, localizada no sul da Bahia, sofreu invasões desde a década de 1940, resultando na expulsão de muitos indígenas. Embora o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido a posse tradicional da terra em 2012, os conflitos continuam. A cultura e a língua do povo foram severamente impactadas, com a extinção da língua tradicional em 1992.

Durante a pesquisa, Hemerson entrevistou 19 especialistas indígenas com idades entre 50 e 85 anos, buscando resgatar conhecimentos que estavam se perdendo. Ele destaca a importância dos anciãos, que ainda preservam saberes sobre plantas medicinais, apesar da influência de religiões e da modernização.

Etnobotânica Participativa

A pesquisa utilizou a abordagem de etnobotânica participativa, que coloca a comunidade no centro do processo. Essa metodologia empodera os povos tradicionais, permitindo que eles registrem e decidam sobre seu próprio conhecimento. O estudo resultou em um livro, um audiovisual e um canteiro de plantas medicinais nas aldeias, além de um livreto com receitas de uso seguro de plantas.

O trabalho de Hemerson Dantas dos Santos Pataxó Hã-Hã-Hãi é um exemplo de como a ciência pode ser feita em colaboração com comunidades indígenas, promovendo a preservação de saberes ancestrais e contribuindo para a saúde e bem-estar da população.

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