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Ribeirinhos do pantanal enfrentam dificuldades de saúde e queimadas constantes

Queimadas em Aterro do Binega em 2024 agravam problemas de saúde e demandam urgência em serviços médicos e apoio psicológico para a comunidade.

Rosemari Gomes de Souza, 24 anos, caminha com suas filhas Rafaela (em seu colo), Jasmim (de vestido rosa) e Yasmim em comunidade ribeirinha em Corumbá (MS) (Foto: Rafaela Araújo/Folhapress)
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  • Queimadas no Pantanal atingiram a comunidade de Aterro do Binega em 2024, agravando problemas de saúde.
  • Aproximadamente 1,9 milhão de hectares foram afetados, impactando a vida dos moradores.
  • A inalação de fumaça está relacionada a doenças respiratórias e cardiovasculares, com relatos de traumas psicológicos entre os moradores.
  • A comunidade pede melhorias no acesso a serviços médicos, incluindo a criação de uma unidade de saúde.
  • A educação também foi prejudicada, com suspensão de aulas e necessidade de apoio psicológico para os alunos.

Queimadas no Pantanal: Comunidade de Aterro do Binega Enfrenta Novos Desafios em 2024

As queimadas que devastaram o Pantanal em 2020 voltaram a assolar a comunidade de Aterro do Binega em 2024, intensificando problemas de saúde e exigindo melhorias nos serviços médicos. Cerca de 1,9 milhão de hectares foram afetados, impactando diretamente a vida dos moradores.

Rosemari Gomes de Souza, 24 anos, relata os traumas vividos durante os incêndios. Ela e sua família foram forçados a deixar sua casa em uma madrugada, quando o fogo se aproximou. “Tivemos que ficar no barco, de madrugada, na praia do outro lado, até o fogo acalmar”, conta. A comunidade, localizada a quatro horas de barco de Corumbá, enfrenta dificuldades para acessar serviços de saúde, essenciais para tratar doenças crônicas.

Os impactos na saúde são alarmantes. O Ministério da Saúde aponta que a inalação da fumaça pode causar irritações e aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Edna da Silva Amorim, 36 anos, menciona que suas filhas enfrentam problemas respiratórios e traumas psicológicos devido à exposição aos incêndios. “A minha menorzinha criou um trauma forte”, diz.

A falta de acesso a serviços médicos é uma preocupação constante. Os moradores reivindicam a criação de uma unidade de saúde ou uma “ambulancha” para atender a comunidade. Atualmente, as visitas de agentes de saúde ocorrem apenas trimestralmente, sem previsão de melhorias significativas.

A educação também foi afetada. A Escola Municipal Rural de Educação Integral Polo São Lourenço, que atende alunos do Binega, teve que suspender aulas durante os incêndios. O professor Emilio Carlos Moraes observa mudanças no comportamento dos alunos, que demonstram medo e ansiedade. “Precisava de um psicólogo, né?”, reflete.

Apesar das dificuldades, a comunidade recebeu treinamento para combater queimadas, promovido pelo PrevFogo, do Ibama. Recentemente, chuvas fora de época trouxeram alívio, mas a vegetação ainda é escassa. Os moradores enfrentam um cenário de incerteza, com a esperança de que a recuperação do ecossistema e o acesso a serviços essenciais melhorem suas condições de vida.

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