- Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou asteroides coorbitais de Vênus que podem ameaçar a Terra.
- Esses asteroides, que compartilham a órbita de Vênus, permanecem invisíveis aos telescópios atuais.
- Apenas vinte asteroides coorbitais foram catalogados, mas a pesquisa sugere que há uma população maior com órbitas instáveis.
- Simulações indicam que asteroides com cerca de 300 metros de diâmetro podem causar impactos significativos, criando crateras de até 4,5 quilômetros.
- O Observatório Vera Rubin no Chile pode ajudar na detecção desses objetos, mas telescópios espaciais, como a missão Neo Surveyor da NASA, podem ser mais eficazes.
Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou a existência de asteroides coorbitais de Vênus, que podem representar uma ameaça significativa à Terra. Esses objetos, que compartilham a órbita do planeta, permanecem invisíveis aos telescópios atuais e podem colidir com nosso planeta no futuro, causando destruições em larga escala.
O principal autor da pesquisa, o astrônomo Valerio Carruba, explicou que esses asteroides não fazem parte do Cinturão de Asteroides, localizado entre Marte e Júpiter, mas estão em ressonância 1:1 com Vênus, completando uma volta ao redor do Sol no mesmo tempo que o planeta. Embora apenas 20 asteroides coorbitais tenham sido catalogados até agora, a pesquisa indica que há uma população maior, com órbitas altamente excêntricas e instáveis, que podem se aproximar da Terra em ciclos de cerca de 12 mil anos.
Esses asteroides podem chegar a distâncias mínimas da órbita terrestre, cruzando-a em algumas ocasiões. Simulações computacionais mostraram que objetos com cerca de 300 metros de diâmetro podem estar entre eles, com potencial para criar crateras de 3 a 4,5 quilômetros e liberar energia equivalente a centenas de megatons em caso de impacto.
O estudo também avaliou a possibilidade de detectar esses asteroides utilizando o Observatório Vera Rubin no Chile. No entanto, mesmo os mais brilhantes só seriam visíveis por breves períodos, tornando-os efetivamente indetectáveis pelos programas regulares de observação. Carruba sugere que telescópios espaciais, como a missão Neo Surveyor da NASA, poderiam ser mais eficazes na detecção desses objetos.
A origem dos asteroides coorbitais de Vênus é atribuída à fragmentação de um hipotético planeta terrestre, enquanto os do Cinturão de Asteroides são considerados remanescentes do processo de formação do Sistema Solar. Esses coorbitais, por sua vez, foram desviados para órbitas internas através de interações gravitacionais, podendo eventualmente evoluir para trajetórias próximas da Terra ou serem ejetados do Sistema Solar.
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