- Os vegetais indígenas, conhecidos como “kienyeji”, estão se tornando populares no Quênia, onde antes eram considerados ervas daninhas.
- A demanda por esses vegetais cresceu, especialmente em Gachie, próximo a Nairobi, onde um restaurante local observa que a procura por kienyeji supera a de outros vegetais.
- A produção de vegetais indígenas dobrou nos últimos dez anos, alcançando 300 mil toneladas em 2022, com destaque para variedades como managu e mrenda, que são mais nutritivas que o repolho.
- A troca de sementes enfrenta desafios legais desde 2012, dificultando a preservação de variedades tradicionais; mais de 35 variedades foram perdidas em uma região devido a essa legislação.
- No mercado de Wangige, os vegetais indígenas são os mais procurados, impulsionados por campanhas de mídia que promovem seus benefícios à saúde.
Vegetais indígenas ganham destaque no Quênia
Os vegetais indígenas, conhecidos como “kienyeji”, estão conquistando espaço no Quênia, onde antes eram vistos como ervas daninhas. Atualmente, a demanda por essas variedades locais cresce, refletindo uma mudança nas preferências alimentares da população. Em Gachie, próximo a Nairobi, o restaurante Skinners observa que a procura por kienyeji supera a de outros vegetais. O funcionário Kimani Ng’ang’a afirma que muitos clientes pedem esses produtos, mesmo com preços mais altos devido à dificuldade de abastecimento.
Nos últimos dez anos, a produção de vegetais indígenas dobrou, atingindo 300 mil toneladas em 2022. A professora de horticultura Mary Abukutsa-Onyango destaca que esses vegetais, como managu (nightshade africano) e mrenda (jute mallow), possuem mais nutrientes do que variedades introduzidas, como o repolho. Esses vegetais são ricos em vitaminas e antioxidantes, promovendo benefícios à saúde, como a desintoxicação do organismo e auxílio na perda de peso.
Desafios legais e preservação
Apesar do crescimento, a troca de sementes enfrenta desafios legais. Desde 2012, uma lei proíbe a troca de sementes não certificadas, dificultando a preservação de variedades tradicionais. Wambui Wakahiu, da Seed Savers Network, alerta que mais de 35 variedades foram perdidas em uma única região devido a essa legislação. A troca de sementes, embora essencial para a diversidade genética, é considerada ilegal, o que impede muitos agricultores de comercializá-las.
Francis Ngiri, um agricultor que se mudou para o Vale do Rift, começou a cultivar 124 variedades nativas em sua propriedade. Ele colabora com 800 outros agricultores para preservar e regenerar plantas esquecidas. A proposta de alinhar a legislação do Quênia com tratados internacionais sobre recursos genéticos está em discussão, mas ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a aceitação plena dos vegetais indígenas.
Popularidade crescente
No mercado de Wangige, Priscilla Njeri observa que os vegetais indígenas são os mais procurados pelos clientes. A preferência por managu, terere e kanzira (couve africana) é atribuída a campanhas de mídia que promovem seus benefícios. A mudança na percepção sobre esses vegetais reflete um movimento crescente em direção à valorização da agricultura local e sustentável no Quênia.
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