- A China enfrenta desafios na transição energética, com forte dependência de carvão.
- Em 2023, uma onda de calor aumentou as vendas de ar-condicionado em 40%, expondo a fragilidade da rede elétrica.
- O consumo de carvão cresceu 9%, representando mais de dois terços da geração de eletricidade do país.
- Em 2024, os combustíveis fósseis corresponderam a 82% do consumo total de energia, com o carvão a 53%.
- A China deve aumentar a captura de carbono e melhorar os incentivos para descarbonização para atender às metas climáticas.
A China enfrenta desafios críticos em sua transição energética, especialmente após uma onda de calor em 2023 que elevou as vendas de ar-condicionado em 40%. O aumento da demanda elétrica expôs a fragilidade da rede, levando a um crescimento de 9% no consumo de carvão, que agora representa mais de dois terços da geração de eletricidade do país.
Durante o pico da onda de calor, a geração de energia hidrelétrica atingiu níveis historicamente baixos, enquanto as emissões de carbono subiram para um recorde. Em 2024, os combustíveis fósseis responderam por 82% do consumo total de energia da China, com o carvão representando 53% desse total. Apesar de ser líder mundial em energia solar e eólica, essas fontes renováveis atenderam apenas 18% da demanda elétrica.
Dependência do Carvão
A dependência do carvão é evidente em setores essenciais como aço, químicos e materiais de construção, que juntos representam 25% do PIB nacional. A produção de energia e as indústrias de carvão e químicos consomem cerca de 2 bilhões de toneladas de carvão anualmente. A transição para fontes renováveis enfrenta barreiras significativas, como a intermitência da geração e a necessidade de calor extremo para processos industriais.
Além disso, a indústria de dados, que consome 270 bilhões de kWh de eletricidade, também depende fortemente do carvão. A China ainda importa 11 milhões de barris de petróleo por dia, com a maior parte do transporte ocorrendo por rotas marítimas controladas pelos EUA, o que levanta preocupações geopolíticas.
Caminhos para a Sustentabilidade
Para atender às metas climáticas globais, a China deve adotar tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCUS) como parte central de sua estratégia energética. Atualmente, os projetos de CCUS capturam apenas 4 milhões de toneladas de CO2, um número que precisa aumentar significativamente. A China se comprometeu a reduzir as emissões do setor de combustíveis fósseis e, em julho de 2024, a PetroChina aderiu a uma iniciativa global para cortar emissões.
A transição energética da China não pode ser uma escolha binária entre combustíveis fósseis e renováveis. É um ato de equilíbrio entre resiliência econômica, responsabilidade ambiental e estabilidade social. A falta de incentivos adequados para a descarbonização, como os preços baixos do mercado de carbono, continua a ser um obstáculo significativo para o progresso.
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