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Oferta reduzida de presas leva à extinção dos tigres-dentes-de-sabre

Estudo revela que a extinção dos tigres-dentes-de-sabre precedeu o fim da megafauna, alterando a evolução dos herbívoros.

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  • Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que a extinção dos tigres-dentes-de-sabre começou milhões de anos antes do fim da megafauna.
  • O estudo, publicado no *Journal of Evolutionary Biology*, analisou dados fósseis e climáticos da América do Norte e da Eurásia nos últimos 20 milhões de anos.
  • A extinção desses predadores não foi apenas resultado da escassez de presas, mas ocorreu em períodos de baixa diversidade de presas ao longo de sua história.
  • Outro estudo, publicado na revista *Evolution*, mostrou que o aumento da diversidade de predadores reduziu a diversidade de antilocaprídeos, que hoje é representada apenas pelo antílope-americano.
  • Os resultados destacam a importância da interação entre predadores e presas na evolução e conservação das espécies.

André Julião | Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelaram que a extinção dos tigres-dentes-de-sabre começou milhões de anos antes do fim da megafauna. Os estudos, apoiados pela FAPESP, mostram que a interação entre predadores e presas teve um papel crucial na evolução de herbívoros como os antilocaprídeos.

No primeiro estudo, publicado no *Journal of Evolutionary Biology*, os cientistas analisaram dados fósseis e climáticos da América do Norte e da Eurásia nos últimos 20 milhões de anos. João Nascimento, primeiro autor do trabalho, explica que a extinção dos tigres-dentes-de-sabre não se deveu apenas à escassez de presas após a extinção da megafauna, mas ocorreu em períodos de baixa diversidade de presas ao longo de sua história evolutiva.

Impacto da Diversidade de Predadores

O segundo estudo, publicado na revista *Evolution*, identificou que o aumento da diversidade de predadores correlacionou-se com a diminuição da diversidade de antilocaprídeos. Esses herbívoros, que outrora eram diversos na América do Norte, hoje são representados apenas pelo antílope-americano. A extinção de uma subfamília, os Merycodontinae, ocorreu há cerca de 6 milhões de anos, coincidindo com a ascensão dos proboscídeos, que competiam por habitats florestais.

Os pesquisadores também notaram que a outra subfamília, Antilocaprinae, começou a declinar na mesma época em que a diversidade de felídeos aumentou. Mathias Pires, professor do IB-Unicamp, destaca que a interação entre predadores e presas pode ter efeitos significativos nos padrões evolutivos, um tema debatido por décadas, mas que agora ganha suporte robusto.

Dados e Implicações

Os estudos foram viabilizados pelo acesso a grandes bancos de dados fósseis, permitindo a análise da história evolutiva de animais de grande porte. Os tigres-dentes-de-sabre surgiram há 12 milhões de anos, atingindo um pico de diversidade com até oito espécies coexistindo. No entanto, essa diversidade começou a declinar há 6 milhões de anos, em um período de mudanças climáticas que afetaram a disponibilidade de presas.

Os resultados ressaltam como a diversidade de predadores pode impactar a abundância de presas, refletindo em um ciclo que pode levar à extinção de espécies. O estudo alerta para as consequências das extinções atuais, sugerindo que a dinâmica entre predadores e presas é fundamental para entender a evolução e a conservação das espécies.

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