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Calor extremo em Paraisópolis evidencia desigualdade e injustiça ambiental

Paraisópolis enfrenta temperaturas até 8°C mais altas que Morumbi, agravando problemas de saúde e abastecimento de água.

Estudo mostrou que Paraisópolis pode ter temperatura até 8ºC mais alta que Morumbi, bairro vizinho (Foto: André Porto/UOL)
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  • A comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, apresenta temperaturas até 8°C mais altas que Morumbi, evidenciando o fenômeno das ilhas de calor.
  • Recentes medições mostram que as temperaturas em Paraisópolis já ultrapassam 33°C, refletindo o aquecimento global e a urbanização desordenada.
  • Moradores relatam dificuldades devido ao calor intenso, como a necessidade de ventiladores e banhos frequentes.
  • A falta de abastecimento de água se agravou durante a pandemia, com a Sabesp reconhecendo a necessidade de melhorias na região.
  • Especialistas alertam que o calor extremo pode intensificar doenças crônicas, afetando especialmente crianças, idosos e pessoas com condições de saúde.

A comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, enfrenta um cenário alarmante de aquecimento. Recentes medições indicam uma diferença de até 8°C em relação ao vizinho Morumbi, evidenciando o fenômeno das ilhas de calor. O aumento das temperaturas, que já ultrapassam 33°C em Paraisópolis, é um reflexo do aquecimento global e da urbanização desordenada.

Ivaneide Gonçalves da Silva, moradora há 26 anos, relata que o calor intenso a obriga a recorrer a ventiladores e banhos frequentes. “Quando cheguei aqui era muito bom, eu adoro o frio. Agora não tem mais isso”, afirma. O pesquisador Gustavo Paixão alerta que um aumento de 1,5°C na média global pode resultar em 5°C a mais na comunidade.

Estudos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie confirmam a diferença de temperatura, levantando questões sobre o planejamento urbano. O professor Renato Anelli, envolvido na pesquisa, destaca a importância de entender se essa discrepância é um padrão. Além do calor, a comunidade enfrenta problemas de abastecimento de água, que se agravaram durante a pandemia.

Bruna Tomás, outra moradora, menciona que a falta de água já impediu sua filha de levar o neto ao médico. A Sabesp, responsável pelo abastecimento, reconhece a necessidade de melhorias e afirma estar investindo em obras na região. No entanto, moradores temem que a situação se agrave com o retorno das altas temperaturas.

Impactos na Saúde

O calor extremo pode intensificar doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. O pesquisador da Fiocruz, Christovam Barcellos, ressalta que a exposição a temperaturas acima de 36°C pode levar à desidratação e choque térmico. Especialistas alertam que crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são mais vulneráveis a esses efeitos.

Elizandra Cerqueira, empreendedora social, observa a diferença entre Paraisópolis e Morumbi: “Ali tem mais verde, sombra, brisa. Aqui parece um caldeirão fervendo.” A falta de áreas verdes contribui para o superaquecimento, e a cobertura vegetal é apontada como uma solução eficaz. Marcel Fantin, da USP, afirma que um bairro precisa de pelo menos 30% de vegetação para combater ilhas de calor.

Desafios Urbanos

A urbanização excessiva e a falta de planejamento agravam o problema. Anelli defende a ampliação da Operação Altas Temperaturas, que oferece sombra e água, e sugere repensar o urbanismo com materiais que absorvam menos calor. A preservação de áreas verdes em Morumbi também é crucial, já que demolições e impermeabilização do solo podem aumentar a temperatura local.

Os especialistas concordam que a desigualdade ambiental é evidente na fronteira entre Paraisópolis e Morumbi. As mudanças climáticas afetam desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis, como Paraisópolis, que é uma das várias ilhas de calor em áreas menos favorecidas da cidade.

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