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Óxidos de ferro em manguezais aumentam sequestro de carbono no solo

Estudo revela que óxidos de ferro em manguezais são essenciais para estabilizar carbono, destacando a urgência da conservação desses ecossistemas.

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  • Um estudo publicado na revista *Nature Communications* revela que os manguezais capturam carbono de forma mais eficaz que florestas tropicais.
  • Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) identificaram que óxidos de ferro de baixa cristalinidade estabilizam o carbono orgânico do solo.
  • A pesquisa foi realizada no estuário Mocajuba-Curuçá, no Pará, utilizando técnicas como espectroscopia no infravermelho.
  • Mudanças no uso da terra, como a conversão para pastagens, afetam a capacidade de retenção de carbono dos manguezais, podendo aumentar as emissões de dióxido de carbono (CO2).
  • Os pesquisadores destacam a necessidade de conservar e restaurar esses ecossistemas, que são vitais para a subsistência de muitas comunidades e já perderam 25% de sua área no Brasil desde o século 20.

Pesquisadores revelam novos mecanismos de retenção de carbono em manguezais

Um estudo inovador publicado na *Nature Communications* destaca a importância dos manguezais na captura de carbono, superando até mesmo as florestas tropicais. Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) descobriram que óxidos de ferro de baixa cristalinidade presentes nesses ecossistemas desempenham um papel crucial na estabilização do carbono orgânico do solo.

A pesquisa, liderada pelo professor Francisco Ruiz, utilizou técnicas avançadas, como espectroscopia no infravermelho e análise térmica, para investigar amostras do estuário Mocajuba-Curuçá, no Pará. Os resultados mostram que esses óxidos protegem frações de carbono mais vulneráveis à decomposição, evitando a liberação de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Mudanças no uso da terra têm um impacto significativo na capacidade de retenção de carbono dos manguezais. A conversão de áreas para pastagens ou tanques de camarões altera o ambiente geoquímico, transformando os minerais de ferro em formas menos eficazes na estabilização do carbono. Essa degradação pode resultar em emissões de CO2 até três vezes superiores às de áreas equivalentes de florestas.

O professor Tiago Osório Ferreira, orientador de Ruiz, enfatiza que a pesquisa representa uma quebra de paradigma na compreensão do funcionamento dos manguezais como sumidouros de carbono. Compreender esses processos é fundamental para desenvolver estratégias de uso da terra que minimizem os impactos das mudanças climáticas.

Além de sua função ecológica, os manguezais são essenciais para a subsistência de cerca de 500 mil brasileiros, incluindo pescadores e extrativistas. A perda desses ecossistemas, que já enfrentam a destruição de 25% de sua área no Brasil desde o século 20, pode ser acelerada por fatores como o aumento do nível do mar e a urbanização.

Os pesquisadores alertam que os esforços de restauração devem ir além do reflorestamento, incorporando estratégias que restauram o equilíbrio geoquímico do solo. A recuperação natural dos manguezais é lenta, e a pesquisa destaca a necessidade de conservação e controle do uso do solo para garantir a preservação desses ecossistemas vitais.

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