- Há 20 anos, o diagnóstico de câncer em crianças e adolescentes no Rio de Janeiro era demorado, levando até 60 dias para confirmação da doença.
- O Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentava dificuldades, como falta de profissionais capacitados e fluxo de atendimento inadequado.
- Em 2005, a estratégia Unidos pela Cura (UPC) foi implementada, capacitando seis mil profissionais e reduzindo o tempo de encaminhamento para consultas especializadas para até três dias.
- A UPC se expandiu para Pernambuco, onde casos suspeitos são agora encaminhados para diagnóstico em até 48 horas, com apoio de instituições como a Organização Pan-Americana da Saúde.
- Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desigualdades no tratamento do câncer infantojuvenil, com cerca de oito mil novos casos diagnosticados anualmente.
Há 20 anos, o diagnóstico de câncer em crianças e adolescentes no Rio de Janeiro era marcado por longas esperas e ineficiência. O tempo para confirmar a doença chegava a 60 dias, colocando em risco a saúde dos jovens pacientes. Naquele período, o SUS enfrentava sérias dificuldades, com a falta de profissionais capacitados e um fluxo de atendimento inadequado.
A situação começou a mudar em 2005 com a implementação da estratégia Unidos pela Cura (UPC), que priorizou o diagnóstico precoce. A iniciativa, liderada pelo Instituto Desiderata, envolveu gestores públicos, hospitais e organizações da sociedade civil. O programa já capacitou 6 mil profissionais, reduzindo o tempo de encaminhamento para consultas especializadas para até três dias.
Avanços em Pernambuco
Recentemente, a UPC se expandiu para Pernambuco, onde já apresenta resultados positivos em apenas dois anos de atuação. O estado agora garante que casos suspeitos sejam encaminhados para diagnóstico em até 48 horas. A estratégia é apoiada por instituições como a Organização Pan-Americana da Saúde e o St. Jude Children’s Research Hospital.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desigualdades no tratamento do câncer infantojuvenil. Dados do Instituto Nacional de Câncer mostram que cerca de 8 mil novos casos são diagnosticados anualmente, e a doença é a principal causa de morte entre jovens de 1 a 19 anos. A falta de estratégias de prevenção agrava a situação, especialmente entre populações vulneráveis, como crianças indígenas, que apresentam taxas de mortalidade mais altas.
Humanização do Atendimento
Desde 2007, o Instituto Desiderata também tem promovido a humanização dos espaços hospitalares, transformando unidades públicas em ambientes acolhedores. A experiência demonstra que o tempo salva vidas, e garantir acesso rápido e humano ao diagnóstico é um dever do sistema de saúde. O exemplo do Rio de Janeiro mostra que é possível melhorar o atendimento e salvar vidas, e agora outras regiões do Brasil podem seguir esse caminho.
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