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Peixe no cardápio? Em escolas e prisões do Brasil, tubarão é comum

Brasil utiliza carne de tubarão em escolas, hospitais e prisões, visando fornecimento público, com riscos de contaminação e baixa rastreabilidade

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  • O Brasil é o maior importador mundial de carne de tubarão e a fornece a milhares de instituições públicas, como escolas, hospitais, prisões e unidades militares, via compras governamentais.
  • A carne de tubarão, rica em metais pesados como mercúrio e arsênico, é fornecida a grupos vulneráveis, incluindo crianças pequenas e pacientes, por programs de alimentação pública.
  • Foram identificadas quinhentas e noventa (5.900) instituições públicas em 1.012 licitações, totalizando mais de 5,4 mil toneladas de carne de tubarão avaliadas em pelo menos R$ 112 milhões.
  • Em muitos certames, o tipo de tubarão não era especificado, apenas “cação”, o que levanta dúvidas sobre espécies, rastreabilidade e possíveis entradas de espécies ameaçadas.
  • Casos de cancelamento e pressões públicas ocorreram em cidades como São Paulo e Santos; organizações defendem proibição de compras institucionais de carne de tubarão e exigem melhoria de rotulagem e controle de contaminantes.

Shark nas refeições públicas de Brasil: número de tenders indica alcance em escolas, hospitais e unidades do governo. Investigação da Mongabay aponta que o país, maior importador de carne de tubarão, abastece preescolares, pacientes e trabalhadores com cação por meio de compras governamentais.

A análise envolve dados de 1.012 licitações desde 2004, totalizando mais de 5,4 mil toneladas de cação e valor mínimo de 112 milhões de reais. Os documentos cobrem 542 municípios em 10 estados.

A publicação revela ainda que mais de 200 empresas aparecem como fornecedoras, com mais de 70 marcas distintas. Grande parte das licitações solicita apenas o item cação, sem especificar a espécie, o que levanta dúvidas sobre a origem e a conformidade ambiental.

Shark meat é traduzido no varejo como cação, termo genérico que pode esconder espécies em risco. Pesquisadores alertam para a dificuldade de identificar o material adquirido em licitações, o que complica a avaliação de sustentabilidade.

Parcerias com órgãos locais indicam que o uso de cação se intensificou após políticas de proteção social e programas de alimentação escolar, como o direito universal a merenda. O caldo de cultivo envolve cadeias de pesca, processamento e distribuição amplas e pouco rastreáveis.

Mudança de tema: espécies e riscos à saúde

Em notas técnicas, especialistas destacam que o cação pode conter metais pesados como mercúrio e arsênico. Crianças, idosos e pacientes são grupos mais vulneráveis aos efeitos cumulativos desses contaminantes.

Agentes reguladores, como ANVISA e FDA, possuem limites e orientações próprias. No Brasil, a diretriz de ingestão para cação em muitas situações não prevê restrições tão rigorosas quanto às da FDA para grupos sensíveis.

Estudos de contaminação indicam que mercúrio, arsênico e cadmio podem ultrapassar limites de segurança em algumas amostras de tubarão. A toxicidade tende a ser de efeito cumulativo ao longo de décadas.

Implicações e respostas locais

Casos isolados de resistência pública já resultaram em mudanças de roteiro de merenda em algumas cidades, incluindo cancelamentos de licitações e substituições por alternativas com ossos, o que reduz o risco de engasgamento.

Em Duque de Caxias, por exemplo, houve tentativas de substituir o cação por outras opções de peixe, com debates sobre Bones e aceitação de crianças. Órgãos municipais afirmam seguir diretrizes de alimentação saudável e segura.

Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro aparecem entre estados com maiores volumes de compras de cação para escolas, hospitais e unidades de segurança pública. Entidades estaduais relatam dificuldade de identificar espécies específicas no material adquirido.

Caminhos e perspectivas

Organizações de defesa ambiental e de consumidores defendem a suspensão de aquisições institucionais de cação até que haja recuperação de estoques de tubarões e maior clareza sobre espécies adquiridas. Há propostas legislativas em tramitação para restringir compras públicas de cação.

A proposta busca exigir identificação da espécie, rastreabilidade e testes de metais pesados. Especialistas citam a necessidade de políticas nacionais coerentes para orientar alimentação pública e conservação de tubarões.

Observações finais

A reportagem enfatiza a importância de transparência completa nos processos de demanda alimentar pública e de educação da população sobre a origem dos alimentos. A verificação de espécies, rastreabilidade e conformidade ambiental aparecem como pilares para futuras decisões.

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