- A agricultura familiar no semiárido brasileiro enfrenta problemas como monocultura e uso de agrotóxicos, que afetam a biodiversidade e a saúde das comunidades.
- Geraldo Gomes, guardião de sementes crioulas, preserva mais de 200 variedades em sua roça agroecológica na comunidade de Touro, em Serranópolis de Minas, no norte de Minas Gerais.
- Ele mantém a tradição de guardar e trocar sementes, aprendida com sua família, e cultiva uma variedade de alimentos.
- Além de sementes, Geraldo produz licores e medicamentos a partir de plantas, utilizando um sistema agroflorestal.
- A comunidade de Touro enfrenta a perda de espécies nativas devido à expansão da agricultura convencional e à contaminação da água.
A agricultura familiar no semiárido brasileiro enfrenta desafios significativos, como a monocultura e o uso de agrotóxicos, que afetam a biodiversidade e a saúde das comunidades locais. Em meio a esse cenário, Geraldo Gomes, um guardião de sementes crioulas, preserva mais de 200 variedades em sua roça agroecológica na comunidade de Touro, em Serranópolis de Minas, no norte de Minas Gerais.
Geraldo, de 62 anos, mantém viva a tradição de guardar e trocar sementes, uma prática familiar que remonta a gerações. Ele aprendeu com seu pai e avô que a roça deve ter diversidade, cultivando desde arroz até feijão e abóbora. “Guardávamos sementes para não depender do mercado”, afirma. Sua casa abriga uma impressionante coleção de sementes, armazenadas em potes e garrafas, refletindo a riqueza da biodiversidade local.
Além de preservar sementes, Geraldo também produz licores e medicamentos a partir das plantas de sua roça. Ele utiliza um sistema agroflorestal, que combina a produção de alimentos com a preservação ambiental. “É uma forma de ter tudo ao mesmo tempo”, explica. No entanto, ele enfrenta dificuldades devido à contaminação da água e ao uso de agrotóxicos nas monoculturas vizinhas, que prejudicam sua produção.
A comunidade de Touro, situada na Caatinga, possui uma rica diversidade de plantas e frutas, mas enfrenta a perda de espécies nativas devido à expansão da agricultura convencional. Entre 1985 e 2023, a Caatinga perdeu 14,4% de sua cobertura vegetal, enquanto a área dedicada à agricultura aumentou significativamente. Geraldo critica a dependência de sementes transgênicas e lamenta a destruição de plantas nativas.
Além de agricultor, Geraldo é músico e compositor, resgatando a cultura sertaneja através de sua sanfona. Ele integra a Articulação Rosalino Gomes, que reúne diversos povos tradicionais da região, promovendo a preservação cultural e ambiental. “Quero transformar minha casa de sementes em um museu”, revela. Seu trabalho é um exemplo de resistência e preservação em um contexto de desafios ambientais e sociais.
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