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Cientistas descobrem o grupo de seres vivos mais profundo já registrado na Terra

Pesquisadores revelam ecossistema inexplorado a quase 10 km de profundidade, destacando a quimiossíntese como base da vida marinha profunda

Vermes do grupo dos siboglinídeos frenulados, parentes distantes das minhocas, presos ao leito marinho a uma profundidade de quase 10 km (Foto: Divulgação/Reuters)
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  • Um submersível da China, o Fendouzhe, mapeou a comunidade de seres vivos mais profunda já registrada, a quase 10 quilômetros de profundidade no noroeste do oceano Pacífico.
  • A expedição ocorreu entre julho e agosto de 2024, em áreas como a trincheira Kuril–Kamchatka e a trincheira das Aleutas.
  • O ecossistema encontrado é dominado por invertebrados, como vermes do grupo dos siboglinídeos frenulados, que podem medir até 30 centímetros.
  • Esses organismos vivem em ambientes sem luz solar e dependem da quimiossíntese, onde bactérias convertem substâncias inorgânicas em energia.
  • A pesquisa revelou uma alta densidade de invertebrados, com até 6.000 vermes por metro quadrado, em locais onde placas tectônicas se encontram e liberam fluidos ricos em metano.

Um submersível tripulado da China, o Fendouzhe, mapeou a mais profunda comunidade de seres vivos já registrada, a quase 10 km de profundidade no noroeste do oceano Pacífico. A expedição ocorreu entre julho e agosto de 2024, em áreas como a trincheira Kuril–Kamchatka e a trincheira das Aleutas. Os pesquisadores, liderados por Mengran Du e Vladimir V. Mordukhovich, publicaram suas descobertas na revista *Nature*.

O ecossistema encontrado é dominado por invertebrados, como vermes do grupo dos siboglinídeos frenulados, que se fixam ao leito marinho. Esses organismos, que podem medir até 30 cm de comprimento, vivem em um ambiente onde a luz solar não penetra. A maioria das espécies depende da quimiossíntese, um processo em que bactérias convertem substâncias inorgânicas, como metano e sulfeto de hidrogênio, em energia.

Ecossistema Inexplorado

A equipe identificou comunidades de seres vivos em profundidades variando de 5.800 a 9.500 metros. Os siboglinídeos são os mais abundantes, com densidades que chegam a 6.000 vermes por metro quadrado. Além deles, foram encontrados bivalves, gastrópodes, pepinos-do-mar e anfípodes. A pesquisa revela que esses organismos estão em locais onde as placas tectônicas se encontram, permitindo a liberação de fluidos ricos em metano.

Esses fluidos, resultantes da decomposição de matéria orgânica enterrada, são essenciais para a sobrevivência das bactérias que, por sua vez, sustentam os invertebrados. O estudo destaca a complexidade e a interdependência dos ecossistemas em profundidades extremas, revelando um mundo quase alienígena, mas intimamente ligado à biosfera da Terra.

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