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Turistas buscam cenários perfeitos para compartilhar nas redes sociais

Turistas em Barcelona priorizam registro de experiências nas redes sociais, afetando a vivência cultural e a memória das visitas

Turistas tiram um selfie em frente à Sagrada Família em Barcelona no dia 15 de março de 2024. (Foto: David Zorrakino/Europa Press/Getty Images)
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  • O turismo cultural em Barcelona, especialmente na Sagrada Família, está passando por mudanças significativas.
  • Muitos visitantes priorizam a criação de conteúdo para redes sociais em vez de vivenciar a cultura de forma autêntica.
  • O psicólogo social Miguel López-Sáez, da Universidade Rey Juan Carlos, afirma que essa prática resulta em uma relação superficial com a arte.
  • Pesquisas da Universidade de Princeton mostram que turistas que documentam suas experiências lembram dez por cento menos do que aqueles que apenas observam.
  • López-Sáez sugere que a tecnologia pode ser usada de forma reflexiva, permitindo que os turistas aproveitem o momento sem a pressão de compartilhar tudo nas redes sociais.

O turismo cultural em Barcelona, especialmente em torno da Sagrada Família, passa por uma transformação significativa. A interação entre visitantes e monumentos icônicos revela uma nova dinâmica: muitos turistas priorizam a produção de conteúdo para redes sociais em vez de vivenciar a experiência cultural de forma genuína.

Estudos recentes indicam que essa mudança de comportamento resulta em uma relação superficial com a arte. O psicólogo social Miguel López-Sáez, da Universidade Rey Juan Carlos, observa que o turismo atual se assemelha a uma “acumulação de coisas” em vez de experiências. Os visitantes, em vez de contemplar a Sagrada Família, dedicam seu tempo a capturar imagens para compartilhar online, transformando a cultura em uma performance pública.

Esse fenômeno não é exclusivo de Barcelona. Em diversas cidades ao redor do mundo, turistas buscam pontos de interesse populares, como locais virais nas redes sociais, e se preocupam mais em registrar a visita do que em absorver o que estão vendo. López-Sáez destaca que essa prática pode ser vista como uma resposta à ansiedade contemporânea, conhecida como FOMO (Fear of Missing Out), que impulsiona as pessoas a viver experiências padronizadas e facilmente compartilháveis.

A qualidade da experiência cultural é afetada por essa lógica de consumo acelerado. Pesquisas da Universidade de Princeton mostram que aqueles que documentam suas experiências lembram 10% menos do que os que simplesmente observam. Assim, muitos turistas acabam levando para casa apenas uma coleção de imagens, sem a profundidade das vivências.

Apesar dos desafios, há espaço para uma reconciliação entre tecnologia e experiência autêntica. López-Sáez sugere que a tecnologia pode ser uma aliada se usada para documentar reflexivamente, em vez de apenas criar conteúdo superficial. O desafio é transformar a viagem em uma narrativa vivida, permitindo que os turistas desfrutem do momento sem a pressão de compartilhar cada detalhe nas redes sociais.

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