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Amigos evitam compartilhar momentos pessoais nas redes sociais e priorizam o superficial

Usuários se afastam das redes sociais, enquanto influenciadores e conteúdos gerados por IA dominam as interações, gerando desconfiança e cansaço geral

Três jovens usando o celular. Provavelmente, não para contar suas vidas nas redes sociais. (Foto: Xavier Lorenzo/Getty Images)
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  • As redes sociais evoluíram de plataformas colaborativas para ambientes dominados por influenciadores e conteúdos gerados por inteligência artificial.
  • O analista Kyle Chayka destaca o fenômeno do “posting zero”, onde usuários comuns se afastam da publicação de conteúdos pessoais.
  • Essa mudança resulta em redes saturadas de material comercial e superficial, com predominância de marcas e profissionais.
  • O conceito de “enshittification” descreve a degradação das redes, onde conteúdos radicais dominam os feeds.
  • Autores como Marta Peirano e Projeto UNA criticam essa dinâmica, refletindo uma nostalgia por tempos de interações mais autênticas.

Nos últimos anos, as redes sociais passaram de espaços colaborativos para ambientes dominados por influenciadores e conteúdos gerados por inteligência artificial. O analista Kyle Chayka, em sua coluna na *The New Yorker*, destaca o fenômeno do “posting zero”, onde usuários comuns se afastam da publicação de conteúdos pessoais. Essa mudança resulta em plataformas saturadas de material comercial e superficial, com a predominância de marcas e profissionais.

Chayka observa que, após mais de 15 anos de redes sociais, o que se vê são influenciadores, conteúdos gerados por IA e uma avalanche de informações que exploram os medos dos usuários. O cotidiano, antes parte essencial das interações, perdeu espaço. O conceito de “enshittification” descreve a degradação das redes, onde conteúdos cada vez mais radicais e desagradáveis dominam os feeds. Autores como Marta Peirano e Projeto UNA criticam essa dinâmica, refletindo uma nostalgia por tempos em que as redes eram mais espontâneas.

A Nostalgia das Redes Sociais

A transformação das redes sociais também é vista como uma oportunidade perdida. Pierre Bourdieu, em seu ensaio sobre a televisão, argumentou que essas plataformas poderiam ter sido instrumentos de democracia direta, mas acabaram se tornando ferramentas de opressão simbólica. A nostalgia é palpável, pois muitos sentem falta de uma era em que a exibição narcisista era equilibrada por discussões significativas e interações autênticas.

Adriana Bañares, poeta e editora, recorda que, entre 2007 e 2010, as redes sociais eram portas abertas para novos talentos. A espontaneidade e o interesse genuíno nas interações foram substituídos por uma busca incessante por engajamento e visibilidade. Andrea Toribio, escritora e crítica, complementa que a dinâmica atual é menos generosa, com usuários se comportando como marcas, em vez de indivíduos autênticos.

O Impacto da Inteligência Artificial

O uso indiscriminado da inteligência artificial nas redes sociais também contribui para a desconfiança nas publicações. Toribio expressa ceticismo sobre a sinceridade de projetos que buscam compartilhar narrativas, questionando suas motivações. O que antes era um espaço de conexão agora se transforma em um ambiente onde cada ato é potencialmente monetizado.

A saturação de conteúdos gerados por IA e a pressão para se destacar têm levado muitos a optar pelo silêncio. O medo de que o lazer se torne uma atividade produtiva é uma preocupação crescente. Toribio conclui que a perda do prazer em compartilhar experiências sem expectativas de retorno é alarmante, refletindo um cansaço generalizado que permeia a vida contemporânea.

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