- Arqueólogos descobriram restos humanos de aproximadamente 5.600 anos na caverna El Mirador, na sierra de Atapuerca.
- Os restos pertencem a 11 indivíduos e apresentam sinais de canibalismo, indicando violência entre grupos rivais.
- A análise de 650 fragmentos de ossos revelou 239 com marcas de processamento, como cortes e marcas de dentes.
- Dentre os ossos, 222 mostraram sinais de queimadura, possivelmente devido a um incêndio.
- A pesquisa sugere que o canibalismo foi um ato de violência extrema, não relacionado à necessidade alimentar, e reflete tensões sociais da época.
Fósseis encontrados na caverna El Mirador, na sierra de Atapuerca, revelam evidências de canibalismo humano datadas de aproximadamente 5.600 anos. A pesquisa, publicada na revista *Scientific Reports*, identificou restos de 11 indivíduos, com sinais de violência entre grupos rivais, não ritualísticos.
Os arqueólogos analisaram 650 fragmentos de ossos, dos quais 239 apresentaram marcas de processamento, como cortes e marcas de dentes. Os pesquisadores, liderados por Palmira Saladié, do Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social, dataram os restos entre 5.709 e 5.573 anos atrás. A análise isotópica indicou que as vítimas eram locais da região.
Marcas de Processamento
Entre os ossos, 222 mostraram sinais de queimadura, possivelmente devido a um incêndio. As marcas de desmembramento e evisceração sugerem que o processamento dos corpos foi semelhante ao de animais, indicando uma prática sistemática. Os cientistas descartaram a hipótese de que o canibalismo foi motivado por necessidade alimentar, uma vez que a região era adequada para a agricultura.
Os pesquisadores acreditam que o evento de canibalismo foi um ato de violência extrema, possivelmente ligado a conflitos territoriais entre comunidades vizinhas. As marcas observadas nos ossos não indicam traumas anteriores à morte, reforçando a ideia de um incidente isolado.
Contexto Histórico
A Península Ibérica já possui registros de práticas funerárias e canibalismo, com evidências de antropofagia que remontam a um milhão de anos. No entanto, a nova descoberta em El Mirador destaca um episódio específico de agressão, refletindo as tensões sociais e dinâmicas de conflito das comunidades neolíticas. A pesquisa lança luz sobre as complexas relações entre grupos humanos na pré-história europeia.
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