- O Programa Nuclear da Marinha do Brasil avança na construção do submarino nuclear Álvaro Alberto.
- A montagem do bloco 40, que abrigará o reator nuclear, está em estágio avançado.
- Testes iniciais do reator utilizarão vapor de caldeira antes da introdução do combustível nuclear, com previsão de duração de três anos.
- O Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, São Paulo, finaliza um modelo em escala real das seções do submarino.
- O Brasil é um dos poucos países desenvolvendo um submarino nuclear, destacando-se pela tecnologia própria de enriquecimento de urânio.
O Programa Nuclear da Marinha do Brasil avança na construção de seu submarino nuclear, com a montagem do bloco 40, que abrigará o reator nuclear, em estágio avançado. A Marinha anunciou que os testes iniciais do reator utilizarão vapor de caldeira, antes da introdução do combustível nuclear, o que deve levar cerca de três anos.
O Centro Industrial Nuclear de Aramar (Cina), localizado em Iperó, São Paulo, é o local onde um modelo em escala real das seções do submarino está sendo finalizado. O Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene) foi criado para validar a operação do reator e seus sistemas associados, como geradores de vapor e bombas. O vice-almirante Celso Mizutani Koga, diretor do Centro Tecnológico da Marinha, destacou a importância de garantir a segurança e a performance do reator antes de sua instalação no submarino.
O reator, do tipo pressurized water reactor (PWR), é o mesmo modelo utilizado nas usinas nucleares brasileiras. A construção do submarino, batizado de Álvaro Alberto, faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), uma parceria com a França. O projeto, iniciado em 1979, enfrenta desafios como a obtenção de tecnologia e financiamento, além de ter sofrido com cortes orçamentários ao longo dos anos.
O Brasil é um dos poucos países que, mesmo sem possuir armas nucleares, está desenvolvendo um submarino nuclear. O contra-almirante Sérgio Luís de Carvalho Miranda ressaltou que apenas seis nações têm essa capacidade. Os submarinos nucleares oferecem vantagens significativas, como maior velocidade e capacidade de operar por longos períodos submersos, essenciais para a defesa das riquezas marítimas brasileiras.
Além disso, o domínio do ciclo do combustível nuclear é um dos objetivos do programa. O Brasil desenvolveu tecnologia própria de enriquecimento de urânio, um processo complexo que envolve ultracentrifugação. O engenheiro nuclear Renato Cotta enfatizou que a tecnologia de enriquecimento é um segredo industrial, crucial para a segurança nacional. O combustível nuclear produzido localmente é utilizado nas usinas Angra 1 e 2, demonstrando a capacidade do Brasil em desenvolver sua própria tecnologia nuclear.
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