- Mais da metade das espécies de tartarugas e cágados está em risco de extinção: são 196 de 359, com 134 classificadas como ameaçadas ou em perigo crítico; cinco espécies já desapareceram recentemente.
- A Ásia é o epicentro da crise, abrigando 32 das 66 espécies mais ameaçadas; na China estão nove dessas espécies, incluindo os genêros Cuora, como a tartaruga-da-cabeça-dourada (*Cuora aurocapitata*) e a tartaruga-caixa de Zhou (*Cuora zhoui*), que não é avistada na natureza desde 2013 e 1990, respectivamente.
- Padrões globais indicam declínio também em outras regiões: Madagascar tem cinco espécies altamente ameaçadas, enquanto no México há oito na América; a tartaruga-mud colo de Vallarta sobrevive em menos de 25 hectares de áreas alagadas.
- Conservação avança com iniciativas como criação de habitats protegidos, reprodução em cativeiro e programas de “headstart” (reabilitar jovens para ganhar maior chance de sobrevivência); em Aceh, na Indonésia, pescadores recebem incentivos para proteger ninhos, com mais de 2.200 ovos protegidos em 2025.
- A crise é alimentada pelo tráfico e pela valorização econômica das espécies raras; ações sugeridas incluem proteção de habitat, educação comunitária e programas que atinjam desde o nascimento até a reprodução, com organizações como a Turtle Survival Alliance atuando em dezenas de espécies.
A avaliação global sobre as tartarugas e jabutis revela que mais da metade das espécies está em risco de extinção. O relatório 2025 Turtles in Trouble, organizado pela Turtle Conservation Coalition, aponta que 196 de 359 espécies estão ameaçadas sob critérios da IUCN.
Entre as espécies sob maior registro de perigo, 134 são classificadas como ameaçadas ou em perigo crítico. O estudo indica piora desde a última avaliação, com cinco extinções registradas no período recente.
Asia concentra o problema, respondendo por 32 das 66 espécies mais ameaçadas. O país entra com nove espécies na lista, com o gênero Cuora dominando entre elas e exemplos críticos como Cuora aurocapitata, ausente na natureza desde 2013.
Padrões globais de declínio
Madagascar abriga cinco espécies em risco elevado, incluindo a tortoise ploughshare, considerada uma das mais ameaçadas. Na América do Norte, o México lidera a crise regional com oito espécies na lista, enquanto a mini tartaruga Vallarta mud turtle enfrenta redução de habitat.
No campo econômico, o tráfico de animais aumenta o valor de espécies cada vez mais raras, alimentando a vulnerabilidade de populações já debilitadas pela caça e pelo comércio ilegal. Em julho, autoridades espanholas apreenderam 20 tartarugas de espécies protegidas em container vindo da China.
Conservação e caminhos
Medidas de proteção incluem programas de criação em cativeiro e início de vida, além de ações comunitárias que asseguram ninhos e habitat. Em Aceh, Indonésia, pescadores recebem incentivos para proteger ninhos de tartarugas, com mais de 2,2 mil ovos protegidos em 2025 e mais de 4,4 mil filhotes lançados na natureza.
Programas de “headstart” ajudam tartarugas marinhas, com incubação de ovos e criação de jovens para aumentar chances de sobrevida. O Turtle Survival Alliance atua com 43 das 66 espécies listadas, mantendo populações de reserva para possível reintrodução futura.
Além disso, a proteção de habitats por meio de compra de terrenos por organizações de conservação tem se mostrado estratégica, como em Colômbia, onde uma reserva de 220 hectares protege 30% da diversidade genética da tartaruga Mesoclemmys dahli.
A abordagem integrada envolve proteger animais em seus habitats, criar famílias reprodutivas seguras, envolver comunidades locais e adaptar estratégias conforme necessário para ampliar a viabilidade das populações.
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