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Por que é difícil parar de usar zolpidem e outras drogas Z

Desmame de remédios Z pode provocar dependência, ansiedade e convulsões; manejo exige acompanhamento médico, desmame gradual e terapia cognitivo-comportamental

Uso de zolpidem disparou no Brasil nos últimos anos
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  • Remédios Z, usados para induzir sono, podem gerar dependência grave e complicar a qualidade de vida; zolpidem é o mais consumido no Brasil.
  • O uso recomendado é curto, até dez miligramas ao dia ou, no máximo, entre fourteen dias; no entanto, a prática tem se estendido de forma inadequada.
  • As drogas Z atuam no receptor Gaba-A; a diferença entre elas está na meia-vida, indo de cerca de uma hora (zaleplon) a seis horas (zuplidone/eszopiclona) e três horas (zolpidem).
  • Em casos de dependência, médicos costumam substituir por um remédio de meia-vida mais longa, como clonazepam, seguido de desmame gradual, além de terapia cognitivo-comportamental para tratar a dependência psicológica.
  • A Anvisa endureceu regras em 2024, tornando a receita azul obrigatória, com consumo estimado em cerca de 22 milhões de caixas por ano; tratamento eficaz envolve desmame supervisionado e apoio multidisciplinar, incluindo terapia em grupo.

O zolpidem e outras drogas Z, usadas para induzir o sono, têm alto potencial de dependência e podem comprometer a qualidade de vida. Médicos apontam caminhos para desmame gradual e alternativas para tratar a insônia, com acompanhamento médico.

O consumo dessas medicações aumentou no Brasil nos últimos anos, especialmente o zolpidem, o mais utilizado. A droga deveria ser usada por até 14 dias, com dose máxima de 10 mg diários, segundo orientação clínica.

Ações de desmame costumam exigir troca por remédios de meia-vida maior, como o clonazepam, seguido de desmame gradual. A dependência pode envolver efeitos como ansiedade, irritabilidade, rebote de insônia, tremores e convulsões quando interrompidas abruptamente.

Em que pesam as características da classe

As drogas Z agem no receptor Gaba-A, inibidor do sistema nervoso central. Embora sedativas, podem provocar dependência e efeitos adversos se usadas sem prescrição ou fora de indicação. O uso prolongado aumenta riscos de tolerância, prejuízos cognitivos e alterações de comportamento durante o sono.

Relatos de consumo abusivo incluem casos de doses elevadas, como 700 mg/dia de zolpidem, destacando riscos graves de intoxicação e queda na função clínica. Entre os fatores de risco, destacam-se comorbidades psiquiátricas e histórico de trauma.

Estratégias de tratamento e evidências

Especialistas ressaltam que, além do manejo farmacológico, a psicoterapia é essencial. Terapia cognitivo-comportamental tem sido apontada como eficaz no tratamento da dependência. Em pesquisas, mulheres com dependência severa apresentaram melhoria com abordagens multidisciplinares.

Estudos da USP indicam que o tratamento em grupo facilita o enfrentamento da dependência, envolvendo familiares e rede de apoio. A abordagem integrada busca lidar com a dependência psicológica associada ao uso do medicamento.

Contexto regulatório e dados de mercado

A história regulatória do zolpidem no Brasil começou com tarja preta e exigência de receita, passando pela liberação de compra com receita simples. Em 2024, a Anvisa reclassificou o fármaco para tarja preta e manteve a exigência de receita azul, visando reduzir abusos.

Dados da Anvisa indicam queda recente no crescimento explosivo, com o consumo estimado em cerca de 22 milhões de caixas anuais. Mesmo assim, o uso permanece alto, reforçando a necessidade de continuidade de vigilância e acompanhamento clínico.

Impacto social e recomendações

Especialistas destacam que as dificuldades de desmame vão além da farmacologia, envolvendo fatores sociais e psicológicos. O estigma associado às pessoas que buscam tratamento também complica o quadro. O cuidado multidisciplinar continua sendo recomendado como caminho mais seguro.

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