- Estudo publicado na revista Science Advances aponta que, até 2050, mais da metade dos stocks migratórios do mundo deve cruzar as fronteiras entre zonas econômicas exclusivas e altas mares, com a maior parte indo para a high seas.
- O trabalho analisou 347 stocks comerciais de 67 espécies, incluindo tubarões e atuns, com foco em como o aquecimento oceânico pode deslocá-los.
- O modelo utilizado considera temperatura da água, salinidade e oxigênio dissolvido, em cenários de emissões baixas e altas, encontrando mudanças semelhantes até 2050.
- As mudanças podem reduzir recursos pesqueiros para países tropicais e aumentar a dificuldade de gestão nas altas mares, fortalecendo a ideia de banir a pesca na high seas para proteger a biodiversidade.
- O estudo defende maior cooperação entre organizações regionais de manejo de pesca (RFMOs) e pesquisas locais para esclarecer impactos e adaptar estratégias de pesca diante das redistribution de stocks.
O aquecimento dos oceanos está redesenhando a distribuição das pescarias globais. Um estudo divulgado na Science Advances mostra que mais da metade das stocks que atravessam fronteiras entre zonas econômicas exclusivas e águas internacionais migrarão para os high seas até 2050, dificultando a gestão pesqueira.
Segundo a pesquisa, 347 stocks comerciais, de 67 espécies, foram modelados por pesquisadores da University of British Columbia e parceiros. Entre as espécies mais citadas estão tubarões-azuis, tubarões-martelo, atuns e cavalas, que recebem maior parte da atenção dos censos de pesca.
O estudo aponta que, sob cenários de emissão de gases, as mudanças são generalizadas, com maior propensão de deslocamento para os high seas. A migração envolve principalmente estoques tropicais que hoje dependem de EEZs, elevando riscos de sobreexigência.
A equipe utilizou um sistema de modelagem que incorpora temperatura, salinidade e oxigênio dissolvido para estimar deslocamentos de stocks. O resultado-chave: mais de um terço dos estoques estudados migrariam para águas internacionais até 2050.
Desafios para países tropicais
Especialistas destacam impactos para nações pobres ou de renda média, que pouco contribuíram para as mudanças climáticas mas sofrem com seus efeitos. O estudo sugere que, quando há migração para EEZs, tende a ocorrer em águas temperadas, não em áreas tropicais.
“Cidades costeiras tropicais podem perder parte das receitas pesqueiras, agravando vulnerabilidade econômica”, afirma um pesquisador envolvido no estudo. A pesquisa reforça a necessidade de governança internacional mais robusta para evitar redistribuição desigual de recursos.
Gestão e cooperação internacional
A redistribuição prevista apoia a ideia de fortalecer organizações regionais de manejo de recursos marinhos (RFMOs). A pesquisa sugere que cooperação entre órgãos como as RFMOs seja ampliada para incluir avaliações climato-informadas e estratégias de colheita adaptadas aos estoques compartilhados.
Especialistas ressaltam que há dados limitados para muitas espécies, o que dificulta conclusões firmes. Ainda assim, o estudo é visto como ponto de partida para análises locais mais detalhadas e para a formulação de políticas que protejam países mais vulneráveis.
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