- Suplementos alimentares (whey protein, creatina, vitamina B12) respondem por seis em cada dez itens irregulares ou falsificados identificados pela Anvisa, em crescimento desde 2022.
- Em Itapemirim, no Espírito Santo, houve o fechamento de uma fábrica clandestina em 19 de agosto, com suplementos sem registro e condições higiênico-sanitárias precárias.
- Desde janeiro, 58 das 91 ações de vigilância sobre alimentos resultaram em veto à distribuição, publicidade ou venda de suplementos, número quase quadruplou em relação a outras categorias.
- As fraudes no setor cresceram 240 por cento entre 2022 e 2024, com irregularidades que vão desde composição divergente até origem não comprovada e propaganda enganosa.
- O mercado brasileiro de suplementos fatura em torno de R$ 6 bilhões por ano; risco à saúde surge pela venda online, falta de registro e produtos com datas de validade alteradas.
O consumo de suplementos alimentares no Brasil está em alta, com foco em produtos como whey protein, creatina e vitamina B12. O mercado cresce cerca de 20% ao ano e alimenta um setor irregular que preocupa as autoridades sanitárias.
Dados da Anvisa indicam que seis em cada dez marcas com itens irregulares ou falsificados são de suplementos. O padrão tem se intensificado desde 2022, ampliando o risco ao consumidor durante inspeções de rotina.
A última operação, em 19 de agosto, resultou no fechamento de uma fábrica clandestina em Itapemirim, no Espírito Santo, onde foram encontrados suplementos sem registro e em condições higiênico-sanitárias precárias.
Desde janeiro, 58 das 91 ações de vigilância sobre alimentos envolveram fabricantes ou distribuidores de suplementos, superando em quase quatro vezes casos envolvendo azeite e café.
As irregularidades mais comuns envolvem divergência entre a composição informada e a real, origem não comprovada, propaganda enganosa, ausência de registro sanitário e data de validade alterada.
Entre os itens apreendidos, há whey protein, magnésio, ômega-3, chás detox, melatonina, multivitamínicos e novidades virais, como uma goma de tapioca com creatina. A fiscalização aponta aumento da venda online como facilitadora do crime.
Rodolpho Ramazzini, da ABCF, afirma que a propaganda virtual amplia o mercado ilegal, com algumas marcas vendendo apenas pela internet para evitar fiscalização.
O prejuízo fiscal para o país também é expressivo: a associação estima que o Brasil deixou de arrecadar cerca de 9 bilhões de reais em impostos em 2024 por fraudes no setor.
O que são e como funcionam
Suplementos alimentares são produtos que complementam a alimentação com nutrientes, enzimas, bioativas ou probióticos. Apesar de sujeitos à vigilância, eles não são alimentos nem remédios e não têm eficácia comprovada para tratar doenças.
Especialistas ressaltam uso correto: em pacientes cirúrgicos, idosos e gestantes, podem ser úteis quando indicados por profissionais. O uso sem orientação, especialmente com altas doses de cafeína, representa riscos à saúde.
Sobre a creatina, a dose diária máxima indicada é de 3 g; doses maiores não são recomendadas para uso regular. Em casos de disfunção renal, hipertensão e outras condições, o acompanhamento médico é essencial.
Casos de risco e vigilância
Casos de mortes associadas a suplementos com creatina, incluindo jovens, têm acendido alertas. Profissionais de saúde destacam que emagrecedores irregulares e fórmulas de plantas podem causar hepatite e outros danos.
A Anvisa mantém uma lista de produtos vetados, com centenas de itens impedidos de comercialização. Em 2024, a entidade acompanhou diversas denúncias que resultaram em operações conjuntas com forças de segurança e Receita Federal.
Três fontes ouvidas enfatizam a necessidade de registro ou notificação conforme o tipo de suplemento, além de manter um dossiê técnico disponível para fiscalização. O modelo atual foca no pós-mercado, com coleta de amostras e apuração de denúncias.
Recomendações para o consumidor
Especialistas orientam que o consumidor pesquise a origem do produto e prefira compras em sites oficiais, farmácias conhecidas ou estabelecimentos de confiança. A prática reduz riscos de composição não declarada ou de produtos sem registro.
A recomendação também inclui consultar fontes de orientação médica, verificar se há registro ou notificação sanitária válida e evitar itens com promessas excessivas de efeito rápido ou milagroso.
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