- Uma crise de confiança atingiu a Austrália após um estudo revelar que 16 de 20 protetores solares testados não atingiram o FPS anunciado.
- A revelação levou ao recolhimento de produtos, investigação da Therapeutic Goods Administration (TGA) e questionamentos sobre a regulamentação global do setor.
- O estudo, conduzido pela entidade de defesa do consumidor Choice, mostrou que o Lean Screen SPF 50+, da marca australiana Ultra Violette, tinha eficácia próxima a apenas FPS 4.
- A TGA abriu investigação e marcas globais como Neutrogena, Banana Boat, Bondi Sands e a Cancer Council contestaram os resultados.
- A crise levantou questões sobre a regulamentação global, já que na Europa os protetores são classificados como cosméticos, enquanto na Austrália são tratados como medicamentos.
- Uma investigação da Australian Broadcasting Corporation revelou que metade dos protetores que falharam nos testes haviam sido certificados por um laboratório norte-americano conhecido por resultados inflados.
Crise de Protetores Solares na Austrália
Uma crise de confiança atingiu a Austrália após um estudo revelar que 16 de 20 protetores solares testados não atingiram o FPS anunciado. A revelação levou ao recolhimento de produtos, investigação da agência reguladora e questionamentos sobre a regulamentação global do setor.
Protetores Solares: A Principal Defesa
A Austrália, conhecida pelas suas altas taxas de câncer de pele, tem o protetor solar como sua principal defesa contra o sol. O estopim veio em junho, quando a entidade de defesa do consumidor, Choice, divulgou um estudo conduzido em laboratório.
Resultados Surpreendentes
Em um caso emblemático, o Lean Screen SPF 50+, da marca australiana Ultra Violette, mostrou eficácia próxima a apenas FPS 4. A marca inicialmente reagiu defendendo o produto, mas menos de dois meses depois anunciou que o Lean Screen seria recolhido, citando resultados inconsistentes em oito rodadas diferentes de testes.
Reações e Investigações
A revelação provocou reação imediata. Houve uma onda de protestos de consumidores, múltiplos produtos foram retirados das prateleiras, e a Therapeutic Goods Administration (TGA), agência reguladora de medicamentos, abriu investigação. Marcas globais como Neutrogena, Banana Boat, Bondi Sands e até a Cancer Council contestaram os resultados, afirmando que seus testes internos comprovam a eficácia.
Questões de Regulação
O episódio também levantou questões mais amplas sobre a regulação global do setor. Enquanto na Europa os protetores são classificados como cosméticos, na Austrália eles são tratados como medicamentos. A Austrália é ainda mais cuidadosa, e regula os protetores solares como medicamentos.
Testes e Variabilidade
Uma investigação da Australian Broadcasting Corporation revelou que metade dos protetores que falharam nos testes da Choice haviam sido certificados anteriormente por um laboratório norte-americano conhecido por registrar resultados inflados. Também foi identificado que vários produtos retirados do mercado compartilhavam fórmulas semelhantes, produzidas por um fabricante no estado da Austrália Ocidental.
Revisão de Protocolos
A TGA afirmou que revisa os protocolos de testes de FPS, reconhecendo que eles podem ser subjetivos, mas reforçou que a responsabilidade final pela conformidade é das próprias empresas. A questão se ampliou para além das fronteiras australianas. Como muitas marcas utilizam fabricantes e laboratórios comuns em diferentes mercados, especialistas apontam que falhas semelhantes podem estar presentes em protetores vendidos na Europa, Ásia e Américas.
Perspectiva Global
Definitivamente não é um problema isolado, disse a química cosmética Michelle Wong à BBC, ressaltando que os mesmos laboratórios e fabricantes atendem mercados de vários continentes. A crise, segundo especialistas, pode ser apenas a ponta do iceberg de uma falha regulatória global.
Complexidade dos Testes
Especialistas lembram que o teste de FPS é, por natureza, complexo e sujeito a variabilidade – desde diferenças no tipo de pele dos voluntários até fatores tão banais quanto a cor das paredes do laboratório e como são usados: suor, água ou maquiagem, por exemplo, interferem nos resultados dos produtos. Isso abre espaço para erros, inconsistências e até fraudes.
Futuros Protocolos
Reguladores australianos agora estudam rever protocolos de testes, historicamente baseados em pequenos grupos de voluntários e suscetíveis a variáveis ambientais que distorcem resultados. Mas a discussão já alcançou esferas mais amplas, envolvendo políticos, associações médicas e órgãos internacionais.
Recomendação Médica
No entanto, o consenso médico permanece: o uso diário de protetor solar é indispensável, mas deve ser combinado com medidas adicionais como roupas de proteção, busca por sombra e reaplicação frequente.
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