- Um estudo recente publicado na revista AJPM Focus indica que o uso de cigarros eletrônicos (vapes) aumenta o risco de pré-diabetes.
- Analisando mais de 1,2 milhão de dados, os pesquisadores descobriram que os usuários de vapes têm 7% mais chances de desenvolver pré-diabetes, enquanto os fumantes de cigarros convencionais têm 15% de chance.
- Fumar ambos os tipos de cigarros aumenta o risco para 28%.
- O estudo destaca que o uso de vapes não reduz o tabagismo convencional e pode estar contribuindo para problemas de saúde a longo prazo.
- No Brasil, 15,5% dos brasileiros usam nicotina, com 64% fumando apenas cigarros convencionais, 24% apenas cigarros eletrônicos e 12% usando ambos.
Um estudo recente publicado na revista científica AJPM Focus revelou que o uso de cigarros eletrônicos (vapes) aumenta o risco de pré-diabetes. Analisando mais de 1,2 milhão de pontos de dados, os pesquisadores descobriram que os usuários de vapes têm uma chance 7% maior de desenvolver pré-diabetes, enquanto os que fumam apenas cigarros convencionais têm 15% de chance. Combinar os dois tipos de fumo aumenta o risco para 28%.
O estudo destaca que o uso de vapes não reduz o tabagismo convencional e pode estar contribuindo para problemas de saúde a longo prazo. “À medida que o uso de cigarros eletrônicos aumenta rapidamente, é vital que compreendamos seus impactos mais amplos na saúde. Não se trata mais apenas dos pulmões, mas de todo o corpo e da saúde metabólica”, disse Sulakshan Neupane, principal autor do estudo.
Impacto no Brasil
No Brasil, 15,5% dos brasileiros usam nicotina, segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad). Dentre os fumantes, 64% fumam apenas cigarros convencionais, 24% fumam apenas cigarros eletrônicos e 12% fazem o chamado uso dual, que mistura as duas modalidades. “Em uma época em que os cigarros eletrônicos são comercializados como uma alternativa ‘mais segura’ ao fumo, isso sugere que eles podem trazer um perigo oculto e estar contribuindo silenciosamente para problemas de saúde a longo prazo, como pré-diabetes e diabetes”, disse Neupane.
Fatores de Risco
Os riscos eram ainda maiores para os fumantes com sobrepeso ou obesidade. Além disso, pessoas fumantes negras, hispânicas e asiáticas também tinham maior risco de serem diagnosticadas com pré-diabetes em relação a pessoas brancas, assim como pessoas de baixa renda – o que pode refletir desigualdades históricas no acesso aos cuidados com a saúde. “As pessoas que não ganham dinheiro suficiente sofrem de estresse mental e tendem a fumar ou consumir álcool para reduzir esse estresse, o que leva ao aumento desses fatores de risco”, disse Neupane.
Mitigação do Risco
A condição pode ser revertida com exercícios físicos e alimentação adequada, mas é possível que o corpo já tenha sofrido danos cardíacos, renais e nervosos. Entre os fumantes que praticavam exercícios regularmente, o risco de desenvolvimento de pré-diabetes era 8% menor que a média. “O estudo tem várias limitações. Ele observa uma correlação, mas não pode afirmar que o vape é a causa da pré-diabetes. Os dados foram obtidos a partir da autodeclaração de pacientes e podem não ser totalmente precisos. O período de coleta é curto, e não permite uma análise de evolução temporal”, disse Neupane.
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