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Gravuras de 12 mil anos revelam fontes de água no deserto árabe

Descobertas arqueológicas na Arábia Saudita revelam gravuras de 12 mil anos que marcam fontes de água e evidenciam adaptação humana em ambientes áridos

(Griffith University’s Australian Research Centre for Human Evolution (ARCHE))/Divulgação)
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  • Uma equipe internacional de arqueólogos descobriu gravuras monumentais de 12 mil anos na Arábia Saudita, que funcionavam como marcadores de fontes de água.
  • As descobertas ocorreram em três locais no norte do país e foram publicadas na revista Nature Communications.
  • Foram identificados 176 painéis, com 130 apresentando representações naturalistas de camelos, gazelas e íbex, indicando a presença cultural de comunidades da região.
  • As gravuras, talhadas em penhascos altos, sugerem um esforço significativo dos artistas e podem representar direitos territoriais e memória intergeracional.
  • Além das gravuras, ferramentas de pedra típicas do Levante foram encontradas, evidenciando interações culturais com comunidades distantes.

Uma equipe internacional de arqueólogos revelou gravuras monumentais de 12 mil anos na Arábia Saudita, que serviam como marcadores de fontes de água em uma região árida. As descobertas foram feitas em três locais no norte do país e publicadas na revista *Nature Communications*.

As gravuras, que representam camelos, gazelas, íbex e outros animais em tamanho natural, foram encontradas em Jebel Arnaan, Jebel Mleiha e Jebel Misma. Ao todo, foram identificados 176 painéis, sendo 130 deles com representações naturalistas. Essas imagens não apenas expressam arte, mas também indicam a presença e a identidade cultural de comunidades que habitavam a região durante um período de transição climática.

Importância das Gravuras

As imagens foram talhadas em penhascos altos, o que sugere um esforço significativo por parte dos artistas. A arqueóloga Maria Guagnin, do Instituto Max Planck, destacou que as gravuras provavelmente representam “declarações de presença, acesso e identidade cultural”. Já Ceri Shipton, da Universidade College London, ressaltou que essas marcas podem indicar direitos territoriais e memória intergeracional.

Além das gravuras, ferramentas de pedra típicas do Levante foram descobertas, indicando interações culturais com comunidades distantes. As técnicas de datação confirmaram a antiguidade das gravuras, que foram realizadas ao longo de 2 mil a 3 mil anos, sugerindo uma tradição cultural duradoura.

Contexto Arqueológico

Essas descobertas ampliam o entendimento sobre a presença humana na Península Arábica entre o Último Máximo Glacial e o Holoceno. Michael Petraglia, da Universidade Griffith, afirmou que o projeto preenche lacunas no registro arqueológico da região, destacando a resiliência das primeiras comunidades do deserto.

Os pesquisadores ainda investigam o papel social e ritual dessas gravuras, e novas análises podem oferecer mais informações sobre como essas sociedades interagiam com o ambiente árido. A predominância de camelos nas gravuras pode refletir simbolismos ligados à sobrevivência no deserto, ressaltando a adaptação cultural em condições extremas.

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