- Análise marca 10 anos do Acordo de Paris e aponta que a relação entre crescimento econômico e emissões de carbono vem se rompendo em grande parte da economia mundial desde 2015.
- Globalmente, 92% da economia já desacoplou consumo de CO₂ e PIB, com destaque para Brasil, Colômbia e Egito; Reino Unido, Noruega e Suíça entre os casos mais expressivos.
- China registra mudança expressiva: emissões por consumo cresceram 24% entre 2015 e 2023, mas a economia ampliou-se mais de 50% e as emissões vêm estagnando nos últimos dezoito meses, com possibilidade de pico.
- Ao menos 21 países melhoraram no decurso da última década, incluindo Austrália, Emirados Árabes Unidos, Colômbia, Egito, Itália, México e África do Sul; EUA, Japão, Canadá e muitos da União Europeia já apresentam desacoplamento estável.
- Emissões globais cresceram 1,2% ao ano desde 2015, frente a 18,4% na década anterior ao Acordo de Paris; especialistas dizem que ações rápidas são necessárias para manter o aquecimento entre 1,5°C e 2°C até o fim do século.
O acordo de Paris, assinado em 2015, estimulou políticas climáticas e reduziu o elo entre crescimento econômico e emissões. Novo estudo destaca que essa desacoplamento tornou-se norma em grande parte da economia mundial.
Dados do Global Carbon Budget, revisados pela Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU), apontam que 92% da economia já desacoplou consumo de carbono do crescimento do PIB. Países do sul Global mostram avanços significativos.
Entre 2015 e 2023, houve queda na dependência de carvão e de combustíveis fósseis em várias economias. China teve queda na intensidade de carbono relativa ao crescimento e emissões passaram a se estabilizar.
Brasil, Colômbia e Egito integram grupo de 21 países que progrediram na década. EUA, Japão, Canadá e grande parte da UE já apresentaram desacoplamento consistente ao longo dos anos.
O estudo ressalta que as emissões globais cresceram menos após 2015, com alta anual de CO2 de 1,2% frente a 18,4% antes do acordo. Desempenho varia conforme políticas nacionais e ciclos eleitorais.
Projeções e perspectivas
A análise aponta que, se a China mantiver o impulso, o restante do mundo pode seguir em direção a metas de 1,5–2°C. O relatório enfatiza a importância de ações rápidas nos próximos anos.
Autores destacam ainda que o papel das conferências da ONU, as COPs, tem sido decisivo para impulsionar a transição energética, mesmo diante de obstáculos e mudanças políticas passageiras.
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