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Níveis baixos dos Grandes Lagos coincidem com chegada de centros de dados EUA

Grandes Lagos enfrentam queda de nível de água enquanto data centers, de alto consumo, provocam resistência de comunidades locais

A rendering of an aligned data centers expansion in Ohio with New Mega-Scale AI Campus
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  • Perkins Township, Ohio, viu o início das obras do data center NEO-01 da Aligned Data Centers em mai de 2024, em terreno de recuperação (brownfield), com quatro prédios e cerca de 200 mil pés quadrados; investimento de cerca de US$ 202 milhões e 18 empregos diretos, além de mão de obra na construção.
  • Autoridades locais e moradores temem o uso de água para resfriamento, apesar de a empresa alegar sistema de resfriamento com circuito fechado; a água do município é vista como alternativa aos mananciais rurais.
  • O caso ocorre em meio ao recuo dos níveis das Grandes Lagos desde 2019, elevando o debate sobre competição por água entre centros de dados e agriculturas locais.
  • Em outras regiões próximas, grandes investidores em dados — como Microsoft, Amazon Web Services e OpenAI — planejam ou já operam instalações que consomem água de fontes regionais, gerando disputas com comunidades.
  • Os moradores questionam impactos ambientais, riscos de poluição e quedas de energia, já que o terreno já registrou contaminação anterior e há relatos de picos de energia na área; a empresa recebeu isenção fiscal de quinze anos.

Um projeto de data center de grande porte está provocando debates na região dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos. A empresa Aligned Data Centers iniciou em maio de 2024 a construção do NEO-01, um complexo de quatro prédios com 200 mil pés quadrados em um terreno de antigas instalações industriais em Perkins Township, Ohio. A obra acontece ao lado de propriedades rurais que a família Hermes aluga para lavouras e criação de gado.

O empreendimento, localizado a poucos quilômetros da orla do Lago Erie, já gerou preocupação entre moradores locais. Eles temem que o consumo de água para resfriamento dos equipamentos possa pressionar os recursos hídricos da região, principalmente em um cenário de queda dos níveis das Grandes Lagos. A companhia assegura uso de sistema de resfriamento com circuito fechado para reduzir o consumo de água.

A construção envolve investimento estimado em 2022, com a promessa de gerar empregos diretos e indiretos ao longo de vários anos. Em contrapartida, a empresa recebe benefício fiscal de 15 anos em troca de investimentos locais, incluindo pagamentos a escolas e centros de carreira. O município não respondeu a perguntas sobre a origem da água.

Na região, especialistas apontam que a demanda de água de data centers pode competir com o uso municipal. Estudos indicam que centros de dados consomem milhares de galões por dia e geram água aquecida que precisa ser descartada, o que pode impactar ecossistemas e abastecimento local. A norma regional busca manter o uso dentro da bacia dos Grandes Lagos.

Impacto local

Residentes de Perkins Township relatam impactos no cotidiano, como interrupções de energia durante a construção e mudanças na paisagem. Um morador afirma que houve incidentes de poluição ambiental envolvendo o antigo canteiro e que surge a dúvida sobre o retorno da água ao lago. Grupos locais questionam a viabilidade de manter o equilíbrio entre investimentos e custos ambientais.

Outras comunidades próximas já enfrentam disputas semelhantes. Em Michigan, administrações locais resistem a projetos de data centers, enquanto empresas privadas têm recorrido a ações judiciais para avançar com as construções. Defensores dos projetos argumentam que eles trazem receita tributária e melhorias em infraestrutura, especialmente em áreas rurais.

Especialistas destacam o equilíbrio necessário entre o desenvolvimento de tecnologia de ponta e a gestão responsável dos recursos hídricos. A região dos Grandes Lagos permanece sob observação, com monitoramento de níveis de água, impactos ambientais e estratégias de uso sustentável para atender a demandas de consumidores e localidades.

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