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Invasão de mexilhões quagga transforma o Lago Genebra para sempre

Quagga mussels invadiram o sistema de água fria da EPFL, diminuindo até um terço o resfriamento e ameaçando pesquisa, datacenters e o Tokamak

The concrete arch of an old culvert is covered in quaggas in Lake Geneva, Switzerland. Photograph: Stephan Jacquet/INRAE
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  • Quagga mussels invadiram rapidamente as tubulações de resfriamento sob o EPFL, diminuindo o desempenho de trocadores de calor e aumentando temperaturas em edifícios.
  • A infraestrutura da universidade, incluindo o datacenter e a instalação de fusão Tokamak, depende de água fria para operar; sem resfriamento, equipamentos podem desligar.
  • Para se proteger, EPFL e a Universidade de Lausanne vão instalar um sistema de resfriamento fechado, livre de quaggas, com início de obras em 2027 e duração estimada de cinco anos.
  • As mussels já atingiram profundidades de até duzentos e cinquenta metros no lago; em 2022 a densidade era alta e, em 2024, amostras apresentaram exclusivamente quaggas.
  • O ecossistema do lago mudou de forma profunda e irreversível: a filtragem intensiva torna a água mais clara, afetando a base da cadeia alimentar e aumentando o risco de blooms de algas azul-esverdeadas.

O sistema de água de resfriamento da EPFL em Lausanne, Suíça, sofreu uma invasão biológica silente: milhões de quagga mussels se estabeleceram num conjunto de tubos sob o campus em apenas alguns anos, reduzindo o desempenho de trocadores de calor e elevando temperaturas nos edifícios. A situação afeta também centros de dados e instalações de pesquisa, inclusive o Tokamak da universidade.

A descoberta foi feita em 2022, quando a equipe de operações percebeu a extensão da invasão após meses de funcionamento irregular. As quaggas já haviam sido detectadas pela primeira vez no lago em 2018, com rápido avanço para infraestruturas subterrâneas que bombeiam água fria do Lago Genebra para resfriamento. A expansão é descrita como descontrolada pelos técnicos.

O impacto vai além da refrigeração de salas e equipamentos. A água fria precisa para manter centros de pesquisa, laboratórios e áreas de produção vem de profundidades de até 75 metros; a proliferação de quaggas aumenta o risco de falhas energéticas e interrupções de experimentos, comprometendo atividades institucionais e a continuidade de pesquisas.

Para conter o problema, EPFL e a Universidade de Lausanne planejam instalar um novo sistema de resfriamento fechado, sem passagem de água do lago. O projeto está previsto para começar em 2027 e deve levar cerca de cinco anos, em uma corrida contra o avanço das quaggas que já dominam as tubulações atuais.

Ecólogos destacam mudanças profundas no ecossistema lacustre. A superfície do lago esconde um ecossistema alterado com a vida aquática local substituída por quaggas. A cobertura populacional alcança profundidades inéditas, com concentrações históricas registradas e uma dominância absoluta na amostra de quaggas em 2024.

As quaggas, invasoras altamente reproduzíveis, podem produzir até um milhão de ovos por fêmea e sobrevivem em águas frias. A presença generalizada no Lago Genebra altera a cadeia alimentar, reduzindo espécies nativas e modificando o ambiente de fundo, com implicações para milhares de criaturas que dependem do ecossistema.

Especialistas ressaltam que cada quagga pode filtrar grandes volumes de água por dia, o que aumenta a clareza da água e pode favorecer algas tóxicas em camadas mais profundas. A mudança, associada ao aquecimento e à redução de mistura térmica do lago, aumenta os riscos a longo prazo para o equilíbrio ambiental e para a fauna aquática local.

A recuperação completa do lago é vista como improvável pelas autoridades científicas. Observa-se que a resposta natural é improvável de reverter o quadro atual, tornando necessário uma adaptação contínua para minimizar impactos sobre a vida aquática, pesca profissional e atividades humanas ligadas ao lago.

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