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Clima extremo desafia infraestrutura brasileira

Ciclones extratropicais intensificam chuva e ventos, expondo vulnerabilidade da infraestrutura e deixando milhões sem energia, com prejuízos estimados em R$ 2,1 bilhões

Estrago feito pelo ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul. Foto: Defesa Civil/RS
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  • Em Santa Catarina, a Defesa Civil suspendeu as aulas para mais de 520 mil estudantes da rede estadual na última semana, como medida de prevenção a desastres provocados por temporal atribuído a um ciclone extratropical.
  • O ciclone extratropical se formou no Paraguai, atravessou o Rio Grande do Sul e se intensificou entre o estado gaúcho e Santa Catarina, deixando uma família morta em Florianópolis.
  • No dia seguinte, ventos de até 100 km/h atingiram a cidade de São Paulo, causando ficers de energia, cancelando voos e deixando milhões de imóveis sem luz.
  • A FecomercioSP estima perdas de pelo menos R$ 2,1 bilhões no comércio e no setor de serviços devido aos estragos.
  • Especialistas destacam que ciclones extratropicais costumam ocorrer na região e ajudam a transportar calor entre regiões, com intensidade aumentando quando ocorrem dentro do continente; o país aprovou o Plano Clima Adaptação para aumentar a resiliência.

O Brasil enfrenta uma escalada de eventos climáticos extremos que colocam à prova a infraestrutura e a gestão de riscos. Nesta semana, um ciclone extratropical ganhou força entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o litoral, provocando chuvas, ventos e impactos em diversas regiões.

A Defesa Civil de Santa Catarina acionou medidas preventivas, suspendendo as aulas em mais de 520 mil alunos da rede estadual no dia 9 de dezembro. Estudantes da rede municipal e de universidades também tiveram atividades canceladas, em defesa da população diante do temporal e da inundação.

O sistema, que se formou no Paraguai e atravessou o Brasil, intensificou-se na região entre o RS e SC. Segundo Marcelo Seluchi, do Cemaden, o ciclone ganhou o selo de atípico, gerando queda de energia, alagamentos e destelhamentos. Uma família, incluindo um bebê, morreu após carro ser arrastado pela correnteza na Grande Florianópolis.

No dia seguinte, os ventos atingiram até 100 km/h em São Paulo, derrubando transformadores, interrompendo voos e causando alagamentos. Houve prejuízos em pelo menos 2 milhões de imóveis e interrupções frequentes de energia elétrica por dias.

AFecomercioSP estima perdas mínimas de R$ 2,1 bilhões no comércio e serviços afetados pela calamidade. A contabilidade de danos ainda está em andamento, com impactos que se estendem ao varejo, turismo e indústria local.

Outro episódio ocorreu no Paraná, onde um ciclone extratropical no Sul gerou três tornados que atingiram 11 cidades. Carros foram arremessados, prédios derrubados e caminhões tombaram, devastando Rio Bonito do Iguaçu, que tem 14 mil moradores.

Especialistas destacam que ciclones extratropicais são fenômenos formados pela interação entre ar quente equatorial e ar frio polar. Em média, 3 a 4 ciclones se formam na região sul do Brasil por mês, segundo estudo USP, e costumam seguir para o Atlântico.

Na diferença deste episódio, o sistema intensificou-se dentro do continente e chegou a 2 mil quilômetros de extensão, com efeitos que atingiram a Argentina até o Rio de Janeiro, segundo monitoramento do Cemaden.

Em Santa Catarina, a pesquisadora Regina Rodrigues, UFSC, relata ter vivenciado três ciclones em 2025 no estado. Ela explica que a força dos ciclones depende da diferença de temperatura entre as massas de ar, que está aumentando com as mudanças climáticas, segundo a cientista.

Na Grande São Paulo, a rede elétrica tem apresentado vulnerabilidade. A administração municipal informou que já houve avanço no soterramento de linhas: 88 quilômetros de fiação subterrânea foram instalados, representando 0,02% dos 44 mil quilômetros sob concessão da Enel na região.

A EPE reconhece lacunas na resiliência do setor elétrico e aponta a necessidade de adaptação. Estudos indicam impactos de tempestades, ventos fortes e enchentes na infraestrutura e no fornecimento de energia, com poucos mecanismos de cobrança para ampliar a resiliência pelas concessionárias.

No setor de seguros, cresce a demanda por novas metodologias de cálculo de risco diante de sinistros mais frequentes e intensos. Advogada Luciane Moessa ressalta que prêmios podem subir, tornando a contratação de seguros menos acessível para muitos, inclusive no seguro agropecuário.

Em resposta nacional, o Plano Clima Adaptação foi aprovado para fortalecer a resiliência de estados e municípios. A iniciativa envolve 26 ministérios e prevê apoio a planos municipais com foco em vidas, infraestrutura, transporte e serviços essenciais.

O Ministério do Meio Ambiente incentiva municípios a desenvolverem planos locais de adaptação, com a participação da sociedade civil e do setor privado. O objetivo é identificar vulnerabilidades específicas de cada território e definir prioridades de ação.

Para ampliar a capacidade de resposta, Santa Catarina distribui um kit de defesa civil com caminhonete 4×4, drone e equipamento de informática aos demais 295 municípios. O estado também utiliza quatro radares para monitorar nuvens a até 400 quilômetros.

O secretário estadual Mário Hildebrandt indica que as lições aprendidas ajudam a ampliar serviços e capacitar defesas civis, sobretudo antes do verão, época de chuvas intensas. As autoridades destacam a necessidade de continuidade da adaptação frente a eventos climáticos cada vez mais frequentes.

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