- Estudo publicado na Science Advances comparou genomas de 16 baleias-jubarte modernas (década de 1980) com 9 exemplares históricos do início do século XX.
- Constatou queda de heterozigosidade entre 20% e 30% e aumento de mutações de baixa a moderada intensidade, sem muitos sinais de alto impacto.
- Antes da caça industrial, a população no Atlântico Norte era estimada em cerca de 25 mil animais; por volta de 1900 caiu para ~2.500 baleias.
- No oceano Austral, a queda foi ainda mais acentuada, indo de quase 70 mil no século XVII para pouco mais de 1.300 por volta de 1930.
- Mesmo com a proibição de captura em 1963 e sinais de recuperação numérica, o estudo aponta efeitos genéticos duradouros que ressaltam a importância de monitorar diversidade genética para conservação.
O genoma das baleias-jubarte carrega marcas da caça industrial que quase levou a espécie à extinção no século XX. Um estudo recente compara DNA de jubartes modernas com amostras históricas para entender esse legado.
Cem-ias baleias foram analisadas: 16 indivíduos coletados na década de 1980 e 9 exemplares do início do século 20. As amostras antigas vieram de ossos preservados em antigas estações baleeiras.
A pesquisa, publicada na Science Advances, buscou entender como a caça em larga escala alterou o tamanho populacional e deixou impactos no genoma, mesmo após décadas de proteção.
Mudanças no genoma
A heterozigosidade caiu entre 20% e 30% nas jubartes do oceano Austral, em relação aos indivíduos do início do século 20. Ou seja, a diversidade interna de genes diminuiu, elevando a semelhança entre animais.
A carga mutacional aumentou após o colapso populacional, com mais alterações de baixa a moderada intensidade. Ainda assim, não houve sinais de aumento significativo de mutações de alto impacto.
Essa combinação pode tornar a população menos resistente a doenças, estresse ambiental e mudanças climáticas, apesar do recuo do declínio populacional. A seleção natural fica menos eficiente com menos indivíduos.
Implicações para conservação
Os autores destacam que preservar a espécie não elimina o legado genético da caça. Monitorar a variedade de genes e o acúmulo de mutações é essencial para estratégias de conservação em um cenário de mudanças rápidas.
Apesar da recuperação numérica, a história genética das jubartes enfatiza a necessidade de considerar a diversidade como fator crítico na sobrevivência a longo prazo.
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