- Nova espécie de joaninha, Mada gregaria, foi identificada no semiárido baiano (Dunas do São Francisco), nos municípios de Casa Nova e Pilão Arcado.
- É a primeira espécie do gênero Mada registrada na Caatinga, e o estudo foi publicado no Annales de la Société entomologique de France.
- A joaninha herbívora associa-se estreitamente à planta nativa Strychnos rubiginosa, na qual se alimenta e se reproduz.
- Adultos consomem folhas jovens; as fêmeas depositam ovos na parte inferior das folhas, e as larvas permanecem na planta após a eclosão.
- A descoberta evidencia a relação entre joaninhas herbívoras e plantas da família Loganiaceae nas Américas, suscitando questões sobre tolerância a compostos tóxicos.
A descoberta foi feita no semiárido baiano, nas Dunas do São Francisco, em Casa Nova e Pilão Arcado. A espécie foi batizada como Mada gregaria e pertence ao grupo das joaninhas. O estudo teve colaboração do Cemafauna/Univasf e foi publicado em anais de entomologia franceses.
Mada gregaria representa a primeira ocorrência confirmada da espécie no bioma Caatinga. Do gênero Mada, a joaninha tem formato oval e cor que varia do amarelo ao castanho-amarelado, sem as pintas pretas típicas das joaninhas comuns.
O trabalho de campo acompanhou o comportamento alimentar e reprodutivo, revelando uma relação estreita com a planta nativa Strychnos rubiginosa, conhecida como capitão ou bacupari. A planta funciona como base para a sobrevivência da joaninha.
Os adultos alimentam-se de folhas jovens, e as fêmeas depositam ovos na parte de baixo das folhas. As larvas permanecem na mesma planta, raspando as folhas durante o desenvolvimento, o que indica dependência da Strychnos rubiginosa desde o início.
Essa associação é relevante porque Mada gregaria pertence a um grupo pouco conhecido de joaninhas herbívoras, que se alimentam de plantas, ao contrário do que se observa com a maioria das espécies.
Até o momento, nas Américas tropicais, as joaninhas herbívoras estavam associadas a plantas de apenas três famílias: Aristolochiaceae, Cucurbitaceae e Solanaceae. O novo estudo registra pela primeira vez uma espécie ligada à família Loganiaceae.
O achado levanta questões sobre a tolerância ou neutralização de compostos tóxicos produzidos por Strychnos, bem como possíveis adaptações mútuas entre a planta e a joaninha ao longo do tempo.
Entre na conversa da comunidade