- Baleias-jubarte foram vistas fora da temporada no litoral norte de São Paulo, com cinco a seis animais jovens monitorados que podem permanecer na região nos próximos meses.
- O comportamento é considerado raro e pode ocorrer porque elas encontraram alimento na área, possivelmente o krill, e não migraram como de costume.
- Há preocupação com risco de colisão com navios, principalmente com o aumento de embarcações no verão, levando a alertas de tráfego marinho que recomendam reduzir velocidade e vigiar as baleias.
- A prefeitura de São Sebastião e instituições associadas registraram a temporada de avistamentos de 2025 como a mais expressiva, com oitocentos avistamentos até o início de dezembro.
- Pesquisadores estudam três hipóteses para a permanência: competição por alimento com baleias maiores na Antártida, juventude ainda não migrada ou um evento pontual; o krill segue sendo a base alimentar das jubartes.
Cerca de seis baleias-jubarte foram observadas pela costa norte de São Paulo fora da temporada tradicional de avistamento. O grupo permanece na região de São Sebastião desde junho, quando normalmente já estaria migrando para águas quentes. A permanência é considerada rara pelos pesquisadores.
A equipe do Projeto Baleia à Vista, liderada por Júlio Cardoso, acompanha o mamífero desde o mês passado. Segundo Cardoso, as jubartes são jovens, possivelmente recém-desmamadas, e teriam encontrado alimento na área, o que reduz a motivação para migrar. Os animais possuem visão de alimentação no entorno, e se deslocam com base na disponibilidade de presas.
Novo padrão de permanência
Estimativas indicam entre cinco e seis baleias no canal de São Sebastião e Ilhabela até o momento, com expectativa de continuidade nos próximos meses. A equipe monitora se o comportamento se repete, diante da possível mudança no ciclo migratório das jubartes.
Risco a navegação e medidas de segurança
A prefeitura de São Sebastião, em parceria com instituições como o Instituto Baleia Jubarte, emitiu alerta para o tráfego marinho. Recomenda-se reduzir a velocidade a 5 nós e manter vigia próxima de áreas rasas. Em caso de avistagem, navios devem parar a uma distância mínima de 100 metros.
Impactos e contexto científico
O avistamento prolongado ocorre em meio a um recorde de avistamentos em 2025, com 800 registros até dezembro. Pesquisadores ressaltam que a permanência pode resultar de mudanças no ecossistema, como aumento populacional das jubartes e disponibilidade de alimento.
Crise do krill e mudanças climáticas
O krill, base da dieta das jubartes, também serve a pinguins e focas. Estudos indicam que o aquecimento dos oceanos reduz o gelo marinho e pode deslocar a distribuição dessas crias para novas áreas, alterando a dinâmica migratória. A sobrepesca do krill na Antártida é tema de debate e já provocou moratória global temporária em 2025.
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