- A Anvisa aprovou o registro do lecanemabe (Leqembi), da Eisai, para Alzheimer em estágios iniciais.
- O medicamento é anticorpo monoclonal antiamiloide que atua reduzindo placas de beta-amiloide no cérebro, indicado para comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada à doença.
- O objetivo é retardar a progressão do declínio cognitivo e funcional; não há ganho imediato observado na memória ou no desempenho cognitivo.
- A administração é por infusão a cada duas semanas, com dose de 10 mg/kg, mediante confirmação de amiloide por PET ou análise do líquor; a presença da variante APOE ε4 é contraindicada.
- O alto custo, a necessidade de infraestrutura especializada e a ausência de incorporação no SUS dificultam o uso no Brasil; nos EUA, o tratamento fica em torno de US$ 26 mil por ano.
A Anvisa aprovou o registro do lecanemabe, comercializado como Leqembi, da Eisai, para pacientes com Alzheimer em estágios iniciais. A decisão foi publicada na última quarta-feira, dia 7, e o medicamento já tem aprovação em ao menos 48 países. O fármaco é biológico e combate a proteína beta-amiloide.
O lecanemabe atua como anticorpo monoclonal antiamiloide e pode retardar a progressão da doença em quadros iniciais, como comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer. A indicação exige diagnóstico precoce e avaliação de autonomia do paciente.
A droga é a segunda liberada no Brasil para Alzheimer, após o donanemabe, aprovado pela Anvisa em abril do ano passado. Ambos os fármacos atuam de modo semelhante, mas em etapas diferentes do processo de maturação da proteína. Não há estudo direto comparativo entre eles.
Como funciona o tratamento
O tratamento é feito por infusões a cada duas semanas, em ambiente especializado. A dose recomendada é 10 mg/kg, com duração da infusão de cerca de uma hora. A embalagem pode conter 1 ou 2 frascos-ampola.
Antes do início, é preciso confirmar a presença da patologia amiloide por PET scan ou análise do líquor. Esses exames ajudam a identificar contraindicações, como edemas ou hemorragias cerebrais.
Indicações, contraindicações e efeitos
A Anvisa informa que pacientes com a variante APOE ε4(E4) não devem usar lecanemabe, devido ao maior risco de edema cerebral e hemorragias. O teste genético é necessário para direcionar a indicação. Anticoagulantes são uma contraindicação adicional.
Os principais efeitos adversos observados são edema cerebral, pequenos sangramentos e dor de cabeça. Pessoas com maior risco podem ser homozigotas para APOE ε4(E4). Uma ressonância magnética prévia é recomendada para excluir riscos.
Possibilidade de uso no Sistema Único de Saúde
O custo elevado e a logística complexa dificultam a incorporação ao SUS. O preço brasileiro ainda não foi definido; nos EUA, o tratamento gira em torno de US$ 26 mil por ano. A implementação no Brasil depende de infraestrutura de centros de infusão e capacitação de equipes.
Segundo especialistas, é essencial que centros brasileiros ganhem experiência com esses medicamentos para discutir uma eventual incorporação futura. O debate envolve custo, monitoramento de efeitos e organização de serviços de saúde.
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