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Exaustão de namoro, ego inflado e IA complicam buscar amor em apps

Apps de relacionamento aceleram interações, geram burnout e novas formas de ego e monogamia, cobrando equilíbrio entre vida digital e encontros presenciais

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  • Quatro em cada dez adultos no Brasil usam apps de relacionamento, segundo pesquisa da Norton, com até nove horas semanais dedicadas a essas plataformas.
  • A velocidade das interações e a variedade de contatos alteram a formação de intimidade, expectativas e vínculos afetivos.
  • O fenômeno do “dating burnout” surge pela exaustão de encontros que não levam a nada e pela repetição de rostos nos apps.
  • Mais de 50% dos solteiros em uma pesquisa indicaram usar apps apenas para inflar o ego; surgem também ofertas de relacionamentos não monogâmicos entre gerações mais novas.
  • A inteligência artificial aparece como cupido em alguns casos, mas pode reduzir a autonomia e a espontaneidade, além de ampliar golpes virtuais, exigindo cautela em contatos online.

Quatro em cada dez adultos no Brasil usam apps de relacionamento, segundo pesquisa da Norton. A prática, que consome até nove horas semanais, mostra que a tecnologia ampliou o alcance de contatos, mas também impõe desgastes. Um dos efeitos mais citados é o chamado dating burnout, o cansaço de encontros que não resultam em uma relação estável.

Especialistas em psicologia e neurociência apontam que o ritmo acelerado das interações online altera a forma de construir intimidade. A facilidade de troca de mensagens facilita o contato, mas pode dificultar o aprofundamento de vínculos. A velocidade também alimenta novas formas de relacionar-se, com debates sobre monogamia entre as gerações mais jovens.

A pesquisadora Maria Amélia Penido, doutora pela UFRJ, destaca o risco de relações superficiais pela abundância de opções. Adriana Nunan, também doutora, aponta que a rapidez das dinâmicas faz com que intimidades se formem rapidamente, às vezes sem bases sólidas. O resultado é uma sensação de que o relacionamento é mais significativo do que realmente é.

Inteligência artificial

Para Patrícia, participação de IA em apps de namoro é comum: perfis criados por IA aparecem em grupos de plataformas. Em alguns casos, IA atua como conselheira, orientando respostas a mensagens. O uso dessas ferramentas pode reduzir a espontaneidade e a autenticidade na interação.

A Norton revela ainda que 37% dos adultos usam apps de relacionamento, e 21% já sofreram golpes virtuais. Casos de sondagens financeiras ou tentativas de encontro presencial são citados por relatos de usuários. Medidas de cautela, como checar contatos em comum e escolher locais públicos para encontros, são recomendadas pelos especialistas.

Distância e novas formas de conhecer

Casos reais mostram que relacionamentos podem nascer entre pessoas que vivem longe, com encontros presenciais posteriores. As especialistas defendem que, para manter a confiança, é necessário planejamento de encontros presenciais regulares e comunicação alinhada sobre expectativas.

A adoção de formatos alternativos de encontro, como atividades em grupo ligadas a hobbies, é citada como estratégia para encontrar parceiros com interesses semelhantes. Em alguns casos, a convivência desenvolve-se de forma gradual, migrando do online para o mundo real.

Desafios atuais

Entre os desafios estão o conflito entre identidade online e vida real, além de riscos de psicopatologias associadas à discrepância entre as duas versões. Casos de traição ganham contornos diferentes no ambiente digital, com debates sobre o que caracteriza infidelidade quando envolve interações online ou com IA.

O neurônio explicita que, na paixão, há liberação de dopamina, ocitocina e serotonina, gerando prazer, empatia e humor. O amor, por sua vez, envolve vínculos mais profundos que se desenvolvem com o tempo, indo além da atração inicial. A tecnologia facilita vínculos, mas não substitui o amadurecimento emocional.

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