- Cientistas desenvolveram um teste de DNA no sangue (liquid biopsy) que pode prever como pacientes com câncer de mama vão reagir ao tratamento, antes dele começar.
- O estudo analisou ctDNA em 167 pacientes com câncer de mama avançado e acompanhou resultados antes do tratamento e após quatro semanas de uma rodada.
- Em dois grupos, níveis baixos de ctDNA no início ou aos quatro semanas estiveram fortemente associados a melhor resposta ao tratamento e a maior sobrevida sem progressão.
- No segundo grupo (câncer de mama triplo-negativo), pacientes com ctDNA baixo antes do tratamento tiveram PFS de 10,2 meses vs. 4,4 meses, e taxa de resposta de 40% vs. 9,7%.
- Os resultados sugerem que o teste pode orientar escolhas terapêuticas mais eficazes, incluindo alterações de tratamento ou participação em ensaios clínicos, visando personalizar a resposta ao tumor.
O que aconteceu: pesquisadores desenvolveram um exame de sangue simples que mede DNA tumoral circulante para prever a resposta de pacientes com câncer de mama a tratamentos específicos. O teste usa uma chamada biópsia líquida e foi avaliado em pacientes com câncer de mama avançado.
Quem está envolvido: o estudo foi realizado pelo Instituto de Investigação sobre Câncer (ICR) de Londres, com financiamento de Breast Cancer Now, Cancer Research UK, NIHR Biomedical Research Centre e ICR. Participaram 167 pacientes, recrutados com câncer de mama avançado.
Quando e onde: a avaliação ocorreu antes do tratamento e após um ciclo, em um estudo conduzido no Reino Unido. Os resultados mostram associação entre níveis baixos de ctDNA e resposta ao tratamento.
Como e por quê: a hipótese é que ctDNA baixo indica menor carga tumoral ativa, sugerindo maior chance de eficácia. As análises sugerem uso potencial do teste para guiar escolhas terapêuticas mais rápidas e personalizadas.
Desdobramentos do estudo
Os pacientes foram divididos em dois grupos conforme características moleculares. O primeiro grupo tinha mutações ESR1, HER2, AKT1, AKT ou PTEN e recebeu terapias-alvo específicas.
O segundo grupo, com câncer de mama triplo negativo, recebeu combinação de olarparibe e ceralasertibe, sem mutação alvo.
Para o segundo grupo, ctDNA baixo antes do tratamento foi associado a sobrevida sem progressão de 10,2 meses, frente 4,4 meses em quem manteve ctDNA detectável. A taxa de resposta foi de 40% vs 9,7%.
No terceiro mês, pacientes do primeiro grupo com ctDNA indetectável ao final de quatro semanas obtiveram 10,6 meses de controle tumoral, contra 3,5 meses com ctDNA ainda detectable.
No segundo grupo, quem não apresentava ctDNA após quatro semanas teve 12 meses de controle tumoral, ante 4,3 meses para os com ctDNA ainda presente.
Dr. Iseult Browne destacou que a análise de ctDNA pode prever, de forma não invasiva, a resposta ao tratamento e monitorar efeitos terapêuticos desde o começo.
O pesquisador acrescentou que os resultados apoiam o uso de ctDNA como biomarcador para orientar decisões terapêuticas e potenciais ajustes no tratamento ao longo do curso.
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