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Uso de IA por jovens para saúde mental pode causar dependência e solidão

Especialistas alertam para risco de dependência emocional e isolamento entre jovens que recorrem à IA como confidente

Estudantes da E.E. Alberto Torres, em São Paulo, usando ferramentas de IA no programa Tarefa SP
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  • Um estudo do BMJ aponta que IA generativa tem sido usada como confidente por adolescentes, com um terço usando para interação social e 10% relatando que as conversas com o chatbot são mais satisfatórias que as com pessoas.
  • Há preocupação de dependência emocional, com a IA sendo vista como “amigo”; especialistas alertam que esses sistemas não possuem empatia real e podem aumentar o isolamento social.
  • No Brasil, o uso de IA generativa é elevado: 51,6% dos respondentes, segundo pesquisa da Cisco em parceria com a OCDE, ficando atrás apenas da Índia (66,4%).
  • A IA pode ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e depressão em contextos controlados, atuando como ponte para cuidado real, mas é necessária regulação e fortalecimento de redes de apoio presenciais.
  • Sinais de alerta de dependência incluem abstinência digital, abandono da rotina, perda de funcionalidade social, dificuldade para dormir e sentimentos de tristeza ou isolamento.

Cada vez mais presentes no dia a dia, ferramentas de IA generativa são usadas para leitura, criação de conteúdos e até ilustrações. O uso entre jovens cresce, principalmente nas redes sociais, tornando a solidão tema cada vez mais relevante para a saúde pública.

Um estudo publicado no BMJ, no fim de 2025, aponta que IA como ChatGPT, Claude e Gemini atuam como confidentes para adolescentes. Um terço dos jovens usa IA para interação social; 10% relatam que as conversas com chatbots são mais satisfatórias que com pessoas.

Perfil do problema no Brasil aparece com dados de uma pesquisa da Cisco, em parceria com a OCDE. O país é o segundo maior usuário de IA generativa entre 14 nações estudadas, atrás apenas da Índia. Foram ouvidas mais de mil pessoas brasileiras.

As autoras do BMJ destacam que a IA pode reduzir sintomas de ansiedade em contextos controlados, mas pode ainda favorecer relacionamentos quase-pessoais. A fluência tecnológica facilita a humanização da máquina, dificultando a verificação de limites saudáveis.

Para o desenvolvimento dos jovens, o impacto a longo prazo ainda é incerto. A ausência de interações negativas reais pode reduzir a tolerância a conflitos e frustrações próprias do convívio humano, segundo a análise dos pesquisadores.

A observação aponta que a IA pode funcionar como ponte para cuidado efetivo quando identifica sofrimento psíquico. Nesse caso, o objetivo é incentivar a busca de atendimento humano e o repensar da relação com a máquina e com pessoas ao redor.

Desdobramentos e recomendações

Debates sobre regulação e fortalecimento de redes de apoio presenciais são considerados essenciais. Oferecer mais serviços de saúde mental e espaços de acolhimento comunitários pode reduzir a sensação de solidão associada ao uso da IA.

Profissionais destacam a importância de monitorar se a tecnologia está substituindo o contato humano. Quando ocorrer alienação, é sinal para buscar ajuda profissional e fortalecer laços sociais presenciais.

Sinais de alerta e dependência

A transição do uso recreativo para padrão problemático pode seguir sinais parecidos com dependências. Entre eles: abstinência digital, ansiedade ao ficar offline, abandono de rotinas, perdas de funcionalidade social, alterações de sono e sentimentos de tristeza ou isolamento.

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