- Estudo global com mais de quinze mil “mariposas” artificiais avaliou camuflagem, aposematismo e controles, em seis continentes, observando predadores de insetos (aves) ao longo de oito dias em 21 locais.
- Não existe uma estratégia anti-predatória superior: a eficácia depende do contexto ecológico, com a coloração de advertência performando melhor em ambientes com baixo predomínio de predação e a camuflagem sendo mais vantajosa quando há pouca luz.
- Foram registradas três milduzentas quarenta e sete corridas de predação, equivalentes a vinte e um vírgula seis por cento das presas.
- O estudo, publicado na revista Science, foi replicado em 21 locais; no Brasil, representações na Serra do Japi, na Reserva Ecológica do IBGE e no Vale Encantado, em Uberaba.
- Interferências humanas, como desmatamento e aumento de luminosidade, afetam negativamente a eficácia das duas estratégias; a pesquisa utilizou trilhas, alvos padronizados, fotos e o aplicativo iNaturalist para análise.
Ao todo, pesquisadores avaliaram como camuflagem e cores de advertência funcionam frente às escolhas de predadores, com base em presas artificiais de papel em formato de mariposa. O estudo durou oito dias e envolveu a observação de interações entre predadores que se alimentam de insetos e as alvos usados, variando padrões de camuflagem, aposematismo e controle.
A pesquisa envolveu equipes da USP e foi publicada na revista Science. O experimento foi replicado em 21 locais de seis continentes, incluindo ambientes no Brasil, como Serra do Japi, a Reserva Ecológica do IBGE e o Vale Encantado, em Uberaba.
Os resultados indicam que não há uma estratégia única mais eficaz. A coloração de advertência tem melhor desempenho em ambientes com baixos índices de predação, enquanto a camuflagem se mostra mais vantajosa quando há pouca iluminação e pouco espaço para contornar o predador.
Análises apontam ainda que a camuflagem beneficia presas em ambientes com alta competição entre predadores, mas essa vantagem tende a reduzir ao longo do tempo, à medida que predadores aprendem a identificar as presas. Já a aposematismo apresenta maior risco inicial, que diminui conforme os dias passam, sugerindo disposição de predadores a experimentar presas com sinal de toxicidade.
O estudo detalha que a interpretação vale principalmente para insetos, pois o desenho experimental privilegiou esse grupo. Ainda assim, os autores destacam que as conclusões podem se aplicar, em parte, a outros animais, com cautela.
Sobre o ambiente, os especialistas ressaltam que alterações na cobertura florestal alteram a percepção de cor e luz. A maior luminosidade pode reduzir a eficácia da camuflagem e interferir na comunicação de cores de advertência, destacando o papel da iluminação na dinâmica das estratégias.
Metodologicamente, foram selecionadas trilhas de dois quilômetros com 180 árvores, entre as quais 90 pontos recebiam alvos: camuflados, aposemáticos e de controle. Os alvos eram instalados ao amanhecer e monitorados ao longo do dia, com registro fotográfico para avaliar predation rates.
Para garantir comparabilidade global, os alvos foram impressos de forma idêntica e verificados por diferentes equipes em locais variados. O monitoramento incluiu mais de nove mil fotos, analisadas com apoio de plataformas de registro e identificação de espécies, a fim de relacionar padrões observados com a diversidade de estratégias antipredatórias.
O estudo também ressalta que as mudanças no ambiente visual não afetam apenas a presença de espécies, mas a prevalência de estratégias de defesa. A relação entre latitude, predadores e presas se mantém complexa e dependente do contexto.
Entre na conversa da comunidade