- A ONU alerta que o mundo entrou na era da “falência global da água” por uso excessivo e poluição, com 75% da população vivendo em países com insuficiência hídrica e 2 bilhões em áreas onde o aquífero está afundando.
- Rios importantes, como Colorado e Murray-Darling, não chegam ao mar, e ocorrências de “day zero” em cidades como Chennai têm se intensificado.
- Cerca de 70% da água retirada é usada na agricultura; mais da metade dos alimentos globais é cultivada em áreas com armazenamento de água em declínio ou instável, e áreas úmidas foram perdidas.
- Causas destacadas: crescimento populacional, urbanização e expansão econômica elevam a demanda por água para agricultura, indústria, energia e cidades, agravadas pela crise climática.
- Recomendações do relatório: redefinir direitos de retirada de água, transformar setores que consomem muita água (como agricultura) com práticas mais eficientes e apoiar comunidades que precisam se adaptar, reforçando cooperação global.
O relatório das Nações Unidas alerta que o mundo entrou em uma fase de chamada de água global, com efeitos sobre bilhões de pessoas. O uso excessivo e a poluição precisam ser freados com urgência, segundo o pesquisador principal.
A análise mostra que muitos sistemas hídricos são explorados além da capacidade de reposição anual de rios e solos. Aquíferos e zonas alagadas também sofrem esgotamento ou deterioração, elevando o risco de colapso.
A pesquisa aponta que cerca de 75% da população vive em países com insegurança hídrica ou crítica, e 2 bilhões vivem sobre aquíferos em colapso. A crise se agrava com o degelo de geleiras que armazenam água.
Conflitos pela água têm aumentado desde 2010. Grandes sistemas, como Colorado, nos EUA, e Murray-Darling, na Austrália, não atingem o mar com regularidade, gerando emergências de água em cidades como Chennai, Índia.
A produção de alimentos também é afetada: cerca de 70% da água retirada é destinada à agricultura. Em várias regiões, fontes hídricas estão encolhendo ou se tornando instáveis, o que impacta a oferta de arroz e outros alimentos.
O estudo destaca que o esgotamento de aquíferos provoca subsidência de cidades, com exemplos como Rafsanjan (Índia) registrando queda de 30 cm ao ano. Outras metrópoles notáveis incluem Jakarta, Manila, Lagos e Kabul.
Desafios e caminhos para a gestão da água
A mudança climática amplifica a instabilidade, e grandes lagos também encolhem, como Urmia, Salton Sea e Lago Chad. A perda de áreas úmidas equivalentes ao tamanho da União Europeia é tema recorrente no relatório.
O documento defende uma revisão profunda de políticas de proteção e uso da água, com redução de direitos de retirada para acompanhar a disponibilidade degradada. Também recomenda transformar setores intensivos em água, com irrigação mais eficiente e menos desperdício urbano.
Profissionais envolvidos destacam que a gestão do risco hídrico pode unir países em um cenário cada vez mais fragmentado. A água é apresentada como oportunidade estratégica para reduzir tensões entre nações.
Autores ressaltam que populações crescentes, urbanização e desenvolvimento econômico elevam a demanda por água para agricultura, indústria, energia e cidades. O relatório se baseia em estudo ainda a ser publicado em revista especializada.
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